
Alto! Quem vem lá? Aah, uma velha amiga. Bem-vinda, decepção. Chega mais…mais perto…um pouquinho mais…
Eu te vejo…sim, claro…te vendo…
Olhos fecham. Respiração vem ao primeiro plano.
Ato 1: surge o rótulo. Pensamento. Imagem mental. Ideia. Palavra. Letras. D-e-c-e-p-ç-ã-o. Peraí: uma letra, um pensamento, uma imagem mental podem estar decepcionados? O “pensar” pode estar decepcionado?
Ato 2: entra a sensação. Sentir. Peito pesado, partido. Um peso…tudo pesado, afundando. Densidade. Testa contraída, travada. Vai e vem. Vai…vem. Observando. Uma sensação pode estar decepcionada? O “sentir” pode estar decepcionado?
Ato 3: “corpo”, também conhecido como padrão de cores, também conhecido como sensação, também conhecido como imagem mental. O “corpo”, um padrão de cores, uma sensação, uma imagem mental, pode estar decepcionado? O “ver/sentir/pensar” pode estar decepcionado?
Ato final: varredura completa em busca do “eu decepcionado”. Ver… presente. Ouvir… presente. Sentir… presente. Pensar… presente. “Eu decepcionado”… hm… muitas, muitas histórias SOBRE um eu decepcionado. O protagonista principal do conteúdo dos pensamentos. Mas o verdadeiro autor, a entidade em si…cadê? Hmm…sei lá!
Respira. Respira. Respira.
Raiva. Depressão. Mania. Euforia. Dúvida. Ansiedade. Etc. Etc. Etc. Podem entrar na fila. Uma de cada vez. Fiquem tranquilas: todas serão vistas. Lava, enxágua, repete. Lava, enxágua, repete. Lava, enxágua, repete.





