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Experiência Direta, primeira parte



Experiência Direta

Experiência direta é tudo o que você tem. Experiência direta é o que você é. Experiência direta é o aqui. O agora. Experiência direta é a vivacidade que você vê ao seu redor neste exato momento… como cor… como luz. Experiência direta é a vivacidade dos sons que você ouve… dos cheiros que você sente… dos sabores. Experiência direta é a vivacidade das sensações… daquilo que você rotula como corpo. Experiência direta são os pensamentos… indo e vindo… indo e vindo como materializações no campo da consciência. Experiência direta é vida… é a presença óbvia, inegável do ser. Experiência direta é o centramento… dentro… fora. Experiência direta é tudo o que há…

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É com essa abordagem que iniciamos um movimento de descoberta que transforma o buscador em explorador; as crenças em certezas inenarráveis; o você — é, você mesmo, aquela figura central na vida de cada individualidade — em nada.

Por favor, pare. Pare apenas por um instante e verifique se o que eu disse acima é verdade para você. Olhe. Olhe para a sua realidade neste exato momento. Olhar aqui é mais do que o sentido da visão. Olhar significa perceber, dar-se conta. Olhar significa constatar por si, e não se basear em alguma crença, algum pressuposto. É como se eu lhe perguntasse a cor das paredes do seu banheiro. Se você estiver na sala, na cozinha, no quarto, no escritório, fora de casa, por mais certeza que ache que tenha, sua resposta será baseada em uma crença. A única maneira de transformar a crença em certeza inegável é ir até o banheiro e olhar, não é mesmo? Afinal, quantas vezes você teve certeza absoluta de alguma coisa apenas para depois perceber que havia cometido um erro? Agora mesmo, escrevendo estas palavras, fiquei na dúvida sobre a cor das paredes do meu banheiro…

Em outras palavras, o que eu quero dizer é que tudo o que existe na nossa experiência é proporcionado pelos sentidos. E essa experiência sensorial é inegável. Concorda? Se você responde sim ou não imediatamente, se responde após uma reflexão sobre a sua experiência, você está respondendo a partir de uma crença. E crença é pensamento. Não só pensamento, mas conteúdo de pensamento. A saída aqui é uma só. Ouviu o que eu disse? Então vá ver se é verdade para você. Por exemplo, você vê as palavras nesta tela. A luz, as cores, o preto/sépia no branco — a experiência sensorial em si — é algo cuja existência você pode negar? Você ouviu o som de um carro passando na rua. Essa experiência é algo cuja existência você pode negar? E assim por diante com os outros sentidos.

É importante ressaltar que aqui não estou falando de “ler um texto no celular/computador” ou “ouvir o som de um carro”. Essas são descrições. São traduções da experiência direta em palavras, em sentido. São conteúdo de pensamento. Ouvir o som de um carro não é a mesma coisa que a experiência do som. A descrição “ouvir o som de um carro” é uma história sobre essa experiência, percebe?

O que a frase “estou lendo este texto” tem a ver com a experiência em si? A experiência visual, a experiência mental e emocional? Nada. Ela é apenas uma interpretação dessa experiência, uma conveniência prática para fins de comunicação interna e externa. Está difícil de ver? Olhe. Desacelere. Isto não tem a ver com pensamento. Você não pode pensar a respeito disso. Não pode, porque não tem a ver com pensamento. O pensamento não é uma ferramenta adequada para esta tarefa. Lembra do que eu falei sobre olhar? Pois bem. Olhe. Fique presente com os sentidos. Com a experiência. No início, pode funcionar melhor se, por exemplo, você usar um estímulo passível de interpretação. Neste site encontram-se algumas imagens ampliadas de objetos comuns: https://www.buzzfeed.com/audreyworboys/vision-test-zoomed-in-macro-images

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Se o aparato mental não consegue dar nome ao que vê/ouve/etc., se não consegue dar nome aos bois, a experiência sensorial se sobressai e permanece isolada. Assim, fica bem óbvio o fato de que a experiência sensorial e a sua descrição não são a mesma coisa. Se for algo familiar, você pode até dizer: “é claro que não são a mesma coisa”, mas continua agindo como se fossem. O som não é de buzina? Claro! Não. Não é claro. É uma crença. Por mais convicção que você tenha, é uma crença. Uma convicção é algo que requer esforço. Não acredite no que eu digo. Confira. E, quando conferir, o esforço vai embora — como quando você chega ao banheiro e vê, sem qualquer esforço, sem sombra de dúvida, que a parede é branca. Ou verde. Ou bege. Passe uma semana olhando, percebendo, verificando se o que digo aqui é verdadeiro para você ou não. No seu mundo, na experiência direta, no que é vivenciado aqui e agora, existe algo que não seja fruto dos sentidos? Existe algo que não seja visão, audição, olfato, paladar ou tato?

Não esqueçamos também do pensamento, é claro. O pensamento possui dois níveis. No nível da experiência direta, o pensamento é mais um elemento no campo da consciência. De fato, há quem diga que a atividade mental é atividade sensorial sutil. Estudos mostram que, quando pensamos em um som, as partes responsáveis pela audição no cérebro são ativadas. Da mesma forma, quando temos uma imagem mental, os centros de visão se acendem. E assim por diante. Este, então, é um nível. O outro nível é o das histórias, do conteúdo desses pensamentos, que pode produzir todo tipo de coisa—objetos, situações, explicações, até universos inteiros—mas que fundamentalmente é um “subnível” do primeiro; isto é, não deixa de ser pensamento, não é mesmo?

Assim, o que mais há na experiência que não seja atividade sensorial e pensamento? Você consegue achar alguma coisa na sua vida, na sua experiência direta que não seja ver/ouvir/cheirar/provar/tocar/pensar? Esta é uma investigação. A outra tem a ver com essa diferenciação de níveis no pensamento. Explore o seu dia a dia e veja se há alguma relação entre a atividade sensorial e o conteúdo do pensamento que a descreve: entre a experiência direta do cheiro do café fresco e a mente que diz que aquilo é café fresco; ou entre a experiência do peso do corpo e o pensamento que diz que isso é o peso do corpo…

Termino hoje com uma pergunta importante: para que tudo isso? Para que serve essa investigação? Por que fazer isso? Se você ainda não percebeu, será um mistério que fica para a semana que vem

Ronny Lemos

Terapeuta, escritor e professor, Ronny Lemos oferece uma abordagem integrativa que une sabedoria oriental e pensamento psicológico ocidental contemporâneo. Seu trabalho cria um espaço seguro para transformação profunda e consciente, inspirando os outros por meio de seu próprio compromisso contínuo com o autoconhecimento.




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