
Vivemos uma crise sem precedentes na memória coletiva registrada. Guerra, mudanças climáticas, animosidade, destruição, desentendimentos, turbulência por todos os lados. Mas afinal, que crise é essa?
Para mim, ela tem duas causas principais. A primeira é que essa crise é uma crise de identidade: acreditamos ser indivíduos separados, vivendo em um mundo externo com existência própria. Essa crença não examinada está na raiz da confusão global. Mas esse é um tema para outro momento.
Hoje quero falar da segunda causa: além de uma crise coletiva de identidade, estamos atravessando também uma crise de amadurecimento: o amadurecimento da expressão do arquétipo que chamamos de masculino.
O masculino está doente. A energia masculina predominante hoje em dia oscila entre um menino fixado em temas infantis e um adolescente que se recusa a crescer. Em ambos os casos, vemos adultos fisicamente maduros, mas emocionalmente imaturos—uma verdadeira “síndrome de Peter Pan”. É claro que isso não afeta apenas homens, afinal, todos temos um lado masculino, mas falamos principalmente dos homens porque somos a maioria esmagadora entre os/as que manifestam esse padrão.
Pense em uma criança: ela quer atenção, quer dominar, é egocêntrica. Já o adolescente evita responsabilidades, mas exige poder. Competição, disputa, hierarquia, controle, punição, agressividade, comparação constante, valorização da imagem, busca por gratificação imediata e impulsividade são algumas características dessas fases.
Agora, olhe ao redor: não é exatamente isso que vemos no mundo? Líderes brigando para impor poder, bullying coletivo, crueldade contra animais, exploração sem responsabilidade. No desmatamento e na poluição, prioriza-se o lucro imediato, ignorando as consequências de longo prazo. Antes, como garotinhos sem noção, arrancávamos folhas por arrancar; hoje, arrancamos florestas inteiras. Como se já não bastasse, em seguida, discutimos na televisão se a mudança climática existe ou não. Perdemos completamente a conexão entre causa e efeito.
Uma infantilidade em escala global esse tal de patriarcado.
Somos um navio sem bússola em mar aberto, avançando confiantes, porém alheios ao naufrágio que se aproxima.
Somos como o sapo na panela: colocado em água fria que aquece lentamente, ele não percebe o perigo até que seja tarde demais…





