
No momento estou fazendo um segundo mestrado em psicologia clínica. O foco deste mestrado são as terapias cognitivo-comportamentais. A impressão que eu tenho é que falar de outro tipo de terapia por aqui é sacrilégio. Outro dia compartilhei em meu grupo um link para uma conferência online sobre psicologia analítica (abordagem Jungiana): a sala virtual no grupo de WhatsApp foi um silêncio só. Quase pedi desculpas.
O problema é que, em vez de focar no bem-estar dos clientes, certos papas estão mais preocupados em travar brigas de galo onde só pode haver um vencedor. Esse tipo de conflito pelo poder — ou pelo menos o que acham ser poder — caminha lado a lado com a pura e simples inconsciência. Coisas do patriarcado (já já vamos falar disso)…
As terapias cognitivo-comportamentais estão na moda. Eu, é claro, tenho a minha teoria do porquê isso acontece. Não é, certamente, devido ao alto nível de eficácia. Estudos mostram que esse tipo de terapia é, na melhor das hipóteses, tão eficaz quanto ou um pouco mais eficaz que a ministração de medicamentos — o que não diz muito, visto que os medicamentos modernos para tratamento de problemas psicológicos criam mais problemas do que solucionam.
Então, por que essa classe de terapia faz tanto sucesso? É simples. Primeiro, fazem parte do movimento de globalização. Assim como o McDonalds ou a Coca-Cola, são produtos predominantemente norte-americanos que se espalharam pelo mundo. Todo mundo acha que é bom porque vem dos Estados Unidos e todo mundo quer copiar.
Segundo, e talvez mais importante nesse mundo corrido de hoje, assim como o McDonalds, que fornece uma solução rápida para a fome, as terapias cognitivo-comportamentais se propõem a fornecer uma solução rápida para as perturbações da psique: uma McSolução. Como isso é possível? Bem, como mostram os estudos, não é. Mas é o que temos no mainstream. Essas terapias são parte do paradigma vigente, que se baseia no método científico; o mesmo método científico que criou todos esses medicamentos alopáticos que tratam das “doenças” focando nos efeitos, e não na causa.
Está com dor de cabeça? Tome esse remédio. Se amanhã a dor de cabeça voltar, tome mais remédio. O que importa é acabar com a dor de cabeça. A causa não importa. Está deprimida? A causa da sua depressão não importa. Perceba e controle seus pensamentos (como se isso fosse possível), mude seu comportamento e as emoções mudam também. Okay. Fantástico.
Veja, a compreensão do mecanismo faz sentido. Não estou dizendo aqui que essa abordagem não sirva para nada. Muitas dessas técnicas (especialmente as da terceira onda) podem ser bastante eficazes. Ela só é incompleta. É incompleta porque não explora a causa, o padrão que alimenta o mecanismo. Assim, a depressão fica controlada, mas só se você continuar se monitorando; só se você continuar “tomando o remédio”. Parece-lhe familiar?
Na minha opinião, a psicologia é muito mais do que a “caixinha médica” a que muitos indivíduos tentam confiná-la. A psique possui diferentes níveis, muitos deles inacessíveis e/ou incompreensíveis para o pensamento científico, que tem por péssimo hábito — como todo pensamento fundamentalista — descartar, e até mesmo denegrir aquilo que não compreende.
Desta forma, por exemplo, os terapeutas cognitivo-comportamentais enfatizam a influência da pré-disposição do indivíduo em certos distúrbios, mas ficam só no rótulo. Não conseguem identificar essas pré-disposições, porque elas estão além das explicações científicas. Não conseguem e não querem. Fundamentalismo puro. É muito egocentrismo para o meu gosto. Ah, se tivessem a humildade de examinar a astrologia psicológica…
Hoje termino curto e grosso: para mim, não importa o que seja. Se funciona, estou usando. Ponto.





