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A correria de final de ano não é um troféu



final de ano

Estamos chegando àquela época em que parece que o mundo inteiro resolveu acelerar.

Novembro mal começa e já surgem as conversas sobre festas, confraternizações, compras, compromissos, entregas, reuniões, metas que precisam ser cumpridas e projetos que, por algum motivo, não podem ultrapassar o dia 31 de dezembro.

As agendas ficam lotadas, os dias parecem menores e muita gente começa a repetir uma frase que se tornou quase uma tradição: “Não vejo a hora de esse ano acabar!”

Mas sempre me pergunto: por que precisamos transformar o final de ano em uma corrida contra o relógio?

E mais: por que estar sobrecarregado passou a ser interpretado como sinal de importância, dedicação ou sucesso?

Conheço pessoas que parecem sentir orgulho de dizer que não têm tempo para nada. Estão sempre correndo, resolvendo problemas, apagando incêndios e acumulando compromissos. Quando perguntamos como estão, a resposta quase sempre é a mesma: “Na maior correria!”

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Será que isso é realmente motivo de orgulho?

Estar ocupado não significa necessariamente estar produzindo. E estar cansado não é prova de que fizemos boas escolhas.

Nunca gostei dessa correria de final de ano. Sempre preferi me organizar com antecedência, inclusive quando meus filhos eram pequenos e as comemorações aconteciam em minha casa. Isso não significava ter menos responsabilidades ou deixar de fazer as coisas. Significava simplesmente não querer transformar momentos que deveriam ser prazerosos em uma sequência de obrigações estressantes.

Com o tempo, percebi que essa maneira de pensar também fazia sentido na vida profissional.

Nos negócios, principalmente para quem empreende, existe uma tendência de querer resolver tudo ao mesmo tempo. Fechar contratos, concluir projetos, organizar contas, planejar campanhas, atender clientes, preparar eventos e ainda encontrar espaço para pensar no próximo ano.

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É claro que determinados setores vivem um período de maior movimento. O comércio, o turismo, a gastronomia, os eventos e tantos outros negócios têm no final do ano uma temporada importante de trabalho e oportunidades.

Mas uma coisa é enfrentar um período naturalmente intenso. Outra, bem diferente, é chegar a ele sem organização e transformar o previsível em emergência.

Afinal, o Natal acontece todos os anos. As férias também. Os compromissos sazonais não surgem de surpresa.

Então por que tantas empresas começam a se preparar quando a temporada já está praticamente acontecendo?

Talvez porque ainda confundamos planejamento com uma tarefa que só deve ser realizada quando sobra tempo.

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E tempo, para quem vive apagando incêndios, nunca sobra.

Planejar não é preencher uma agenda com compromissos. É decidir antecipadamente o que merece entrar nela.

É saber quais projetos precisam ser concluídos, quais podem continuar no próximo ano e quais talvez nem façam mais sentido.

É também reconhecer que nem toda oportunidade precisa ser aceita, nem toda reunião é necessária e nem toda ideia precisa sair do papel imediatamente.

Aprendi, ao longo da vida, que organizar o tempo não significa fazer tudo. Significa escolher melhor.

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E isso exige uma habilidade que nem sempre valorizamos: saber dizer não.

Não para compromissos desnecessários. Não para urgências que poderiam ter sido evitadas. Não para projetos que desviam nossa atenção daquilo que realmente importa.

Existe uma diferença enorme entre terminar o ano com a sensação de dever cumprido e terminá-lo simplesmente esgotado.

A primeira vem da realização. A segunda, muitas vezes, vem da falta de limites.

E há outra questão que merece atenção: a mania de acreditar que tudo precisa estar resolvido antes da virada do calendário.

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Projetos não deixam de ser importantes porque continuam em janeiro. Ideias não perdem valor porque precisam de mais tempo para amadurecer. E nem todo resultado precisa aparecer imediatamente.

Às vezes, insistimos em concluir alguma coisa apenas para poder dizer que terminamos, quando o mais sensato seria dedicar a ela mais planejamento, cuidado e reflexão.

O calendário marca a passagem do tempo. Não determina, necessariamente, o ritmo de nossas realizações.

Isso não significa abandonar metas ou diminuir o compromisso com o trabalho. Pelo contrário. Significa compreender que resultados consistentes exigem continuidade, organização e escolhas conscientes.

E talvez essa seja uma das maiores vantagens que a experiência nos oferece.

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Com o passar dos anos, começamos a perceber que não precisamos participar de todas as corridas, aceitar todos os convites ou provar o tempo inteiro que estamos fazendo alguma coisa.

Podemos trabalhar muito, desenvolver novos negócios, organizar eventos, criar projetos e continuar sonhando com o futuro sem transformar a própria vida em uma competição permanente contra o relógio.

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Eu, por exemplo, gosto de chegar aos últimos meses do ano já pensando nas possibilidades do próximo. Não com ansiedade, mas com curiosidade e disposição para organizar ideias, avaliar caminhos e preparar aquilo que desejo realizar.

Porque planejar o futuro também pode ser prazeroso.

E aproveitar o presente não deveria ser um privilégio reservado a quem conseguiu terminar todas as tarefas.

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Talvez esteja na hora de mudarmos a pergunta que fazemos nessa época.

Em vez de “Como vou conseguir fazer tudo até dezembro?”, poderíamos perguntar: “O que realmente precisa ser feito agora?”

Parece uma mudança pequena, mas pode transformar completamente nossa relação com o trabalho, com os negócios e com o tempo.

Afinal, ninguém deveria precisar chegar ao último dia do ano completamente exausto para sentir que foi produtivo.

A correria de final de ano não é um troféu. E começar janeiro precisando descansar de dezembro talvez seja um sinal de que precisamos rever algumas escolhas.

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Porque o verdadeiro sucesso não está em fazer tudo.

Está em construir uma vida na qual também exista tempo para aproveitar aquilo que conseguimos realizar.

Uma ótima semana a todos!

Grande abraço 😊

Selma Cabral.

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Selma Cabral

Selma Cabral- Diretora e Consultora de Turismo e Eventos na Empresa Turismo & Ideias e Colunista e Mentora para Negócios no portal Conteúdo e Mais.




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