Entre a período de 12/08 (quando tivemos o eclipse solar no signo de leão) até o dia 28/08 (quando teremos outro eclipse lunar no signo de Peixes) estamos vivendo um corredor astrológico de intensa luz fotônica a qual memórias, emoçoes e insights vem a tona para serem vistos, liberados e reestruturados a partir de uma versão nova que se forma de cada um de nós. Para os espiritualistas este período é chamado da noite sombria da alma, aqueles instantes de maior frio, quando a Terra está no período mais longo de ausência de luz, antes dos primeiros raios de sol banharem sua atmosfera, enquanto para os estudiosos da mente, psicanalistas, este período compreende o trabalho de sombra e a morte do ego.
Os antigos alquimistas, considerados os cientistas das civilizações antigas e medievais, costumavam dividir o ciclo evolutivo da natureza em quatro estágios: nigredo (putrefação e morte, representado pela cor preta), albedo (purificação e clareamento representado pela cor branca), citrinitas (despertar e maturidade, representada pela cor amarela) e rubedo (iluminação e integração, representada pela cor vermelha).
Para eles a percepção de tempo no aprendizado da criação é uma espiral e não uma reta linear como se acredita em hoje em dia. Ou seja, vivemos sucessivos ciclos de aprendizados, em que a cada fim, se tornamos versões mais evoluídas de nós mesmos, integrando partes de nossa consciência, encerrando relacionamentos, empregos, mudança de casa, cidade, ou país, para avançar rumo a evolução espiritual, emocional e mental. Cada resistência em encerrar esses ciclos, como o medo ou apego por relacionamentos, empregos, família… nós prendem em ciclos repetitivos de aprendizados que não podem ser integrados até que tenhamos assimilados experiências e liberado versões antigas de nós mesmos.
Para exemplificar como esses ciclos se repetem na natureza, compartilharei uma experiência que tive no portal do Leão 8/8, a qual eu sai para fazer uma caminhada num parque e pedi ao meu mentor para me instruir em qual lugar deveria parar a fim de fazer uma meditação de conexão com as energias do portal e conhecimento interior. Neste momento tive a intuição de parar as margens de um riacho que corta o canyon, de difícil acesso, com pedras, pouca luz solar e o solo úmido.
As águas próximas as margens do riacho estavam turva, as pedras com lodo… que me dava uma sensação de asco, com receio de colocar os pés e haver algum inseto escondido, ou até mesmo a sensação de falta de limpeza. No primeiro instante duvidei da minha intuição, talvez estivesse interpretado mal e escolhido o lugar errado, porque estava esperando um lugar com agua cristalina, luz e calor solar. Foi então que perguntei ao meu mentor se estava no lugar certo, e ele me mostrou uma pedra com restos de animais, para ser mais especifica vi conchas vazias de caramujos, penas e pegadas de animais. Parecia com um cemitério, mas não havia restos dos animais, apenas suas partes que não cabiam mais em seu corpo que crescia ou se regenerava. Era a segunda vez que a equipe espiritual me intuía para este tipo de lugar, o primeiro lugar havia sido exatamente há um ano atrás, no mesmo período quando visitei o parque de Yellowstone. Neste momento tive o insight que fez compreender o que os alquimistas chamavam de nigredo, eu estava vivendo a fase do nigredo, da putrefação do meu corpo emocional e mental, o desapego de pensamentos e emoções densas criadas a partir de experiências de sofrimento, sobrevivência que já estavam prontas para serem liberadas. Ou seja, identidades (ego) criadas para sobreviver aquelas experiências já poderiam ser integradas, e suas emoções transmutavas pelo meu corpo através dos sistemas neurológico e linfático. Ao meditar fui guiada para momentos da minha vida em que esses fragmentos da minha consciência havia ficado presos, esperando ainda um amor que não foi manifestado ou uma palavra de reconhecimento que não foi dita, com carinho peguei na mão deste meu eu do passado e repeti as palavras do ho’oponopono: Eu vejo você, eu sinto muito, te amo, sou grata… podemos ir para casa agora. Percebi que somente depois de olhar para essas partes minhas elas aceitaram caminhar comigo para a direção a qual eu desejava. Elas queriam apenas serem vistas, que alguém escutasse aquilo que não pode ser dito ou visto. É muito comum nos desfragmentarmos quando vivemos situações de abuso, injustiça em relações que nos sentimos indefesos seja por uma hierarquia de trabalho, familiar ou por medo.
Para Carl Jung, o nigredo é o confronto com os medos, traumas e partes rejeitadas da própria mente. Portanto a energia deste corredor é um convite para este encontro com a sua verdade interior, sem máscaras, sem fugas de mídias, Netflix ou contas a pagar… em algum momento desses dias, o seu corpo vai te chamar para olhar para dentro, se o convite vier pelo amor, você escutará a sua intuição de descansar, escrever ou fazer uma caminhada para acessar este conteúdo dentro de você. Ao contrário, se for pela dor… você poderá ficar doente, vivenciar uma perda financeira ou de relacionamento, como convite para questionar o seu piloto automático e olhar para dentro.
O eclipse solar em Leão é a voz interior que te lembra todos os dias antes de abrir os olhos: Quem eu sou? Eu sou feliz neste caminho? Como posso mudar de rota? Enquanto o eclipse lunar te faz lembrar daquilo que você não quer desapegar com medo de soltar e ganhar uma versão nova de si mesma.
Para atravessar esses dias de intensa ondas emocionais, de altos e baixos quando o passado e o futuro se fundem e depois se separam deixando você devastada por dentro… tudo é apenas uma experiência… um relacionamento, emprego, casa, carro são apenas experiências que você acumula ao longo da sua jornada, nenhum deles definem quem você é por dentro… eles são apenas identidades temporárias criadas por você para transitar em terrenos da sua jornada… você terá que trocar de peles várias vezes, entrar no casulo e virar borboletas por dezenas de vezes, porque é um ciclo que se fecha e se inicia outro… sucessivos ciclos, e não uma ideia linear criada por nossa sociedade de que sempre estaremos no pódio como reconhecimento de sucesso e prestigio. A evolução da natureza requer soberania, autonomia, resiliência… e não são medidas através dos requisitos de sucesso estipulados atualmente por nossa sociedade. Portando siga sempre o seu coração ao invés de se comparar com os modelos de sucesso estipulados por nossa atualidade… cada um tem a sua própria versão de sucesso, querer rotular e nivelar todos a um padrão exterior estipulado gera mais ansiedade e frustração.




