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Explorando Sonoridades 17



Sonoridades

O Brasil que mistura: rua, memória e futuro em movimento

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Há algo pulsando em comum entre os projetos que atravessam esta edição. Não é apenas estética. Não é coincidência de calendário. É método. O Brasil segue inventando encontros. O Carnaval sempre ensinou isso: diferenças não competem, se combinam. A mistura não é acaso, é estrutura. Entre encontros inéditos, releituras elegantes, trios elétricos, sambas-enredo e guitarras que atravessam gêneros, a música brasileira reafirma sua vocação maior: criar no coletivo e transformar tradição em reinvenção.

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Criolo, Amaro e Dino (2026)

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Quando Criolo, Amaro e Dino dividem o mesmo pulso, o que se ouve não é apenas uma colaboração, pois me parece ser a reafirmação de uma lógica cultural que nos sustenta há séculos. Três origens, três trajetórias e uma nova sonoridade, que revelam que nossa identidade nasce da interseção de nossos encontros. Trata-se de um projeto colaborativo, que surge da conexão entre o rapper paulistano Criolo, o pianista pernambucano Amaro Freitas e o compositor português Dino d’Santiago. Tem elegância harmônica, tem influência clara das obras de cada artista. Presenciamos três experiências musicais que se conectam como um método, para formar esse álbum que muito me lembra um caleidoscópio cultural.

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Onda – Rael (2025)

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Rael transforma a sensação de festa em território narrativo, convidando Mano Brown, Rincon Sapiência, Marina Sena, Los Brasileiros, Ivete Sangalo, Mestrinho, Luedji Luna, Ludmilla e o produtor Tropkillaz, para criar essa onda musical. Nesse projeto impecável reúne funk, reggae, samba, charme e pop brasileiro não disputam espaço; eles contam histórias. Quando ele afirma que “Cassiano é de lei”, não é apenas referência; é linhagem. A pista de dança vira sala de aula afetiva. Cada batida carrega um pedaço da história da música brasileira. O Carnaval, nesse sentido, nunca foi apenas celebração: é transmissão cultural. A alegria também é narrativa política.

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Mixtape Pirata, Vol.1 – BaianaSystem (2026)

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E quando o assunto é rua, o BaianaSystem talvez seja hoje um dos movimentos mais claros dessa permanência carnavalesca. Esse coletivo teve seu álbum anterior “O Mundo Da Voltas” vencedor do Grammy Latino de Melhor Álbum de Rock ou Música Alternativa em Língua Portuguesa. Esta foi a terceira indicação do BaianaSystem ao Grammy Latino e a segunda vitória. Em 2019, o grupo levou o prêmio com “O Futuro Não Demora”.

O álbum Mixtape Pirata Vol.1 nasce pronto para habitar as ruas, pois foi construído sobre arranjos de fanfarra, com cheiro de asfalto quente, com vocação para circular. O trio elétrico, esse invento genial brasileiro, vira plataforma móvel de pensamento sonoro. Habitar as ruas não é estratégia de marketing; é escolha estética e política. A rua é instrumento. O som não espera palco. E o Carnaval não termina na quarta-feira. Ele continua onde houver um navio pirata disposto a ocupar a cidade.

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Sambas Enredo Santos Carnaval 2026

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Em meio a tudo isso, a memória também encontra seu lugar. Ou melhor, ela nunca sai dele. Ao ouvir os Sambas-Enredo 2026 de Santos, viajei para minha terra natal sem sair do lugar. Bastou ouvir o refrão, associar as ruas e avenidas da baixada Santista. O samba-enredo é um arquivo emocional que atravessa gerações e comove pela capacidade de mostrar personalidades, cidades, caminhos da humanidade em forma sonora. Cada cidade guarda sua assinatura melódica. O Carnaval permite que o local dialogue com o nacional, que o bairro converse com o país inteiro. Identidade não é isolamento; é contribuição.

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Neste ano, os sete enredos do Grupo de Acesso abordam temas que vão da celebração da cultura brasileira à fé popular, da luta antirracista à valorização da mulher e da memória das próprias escolas. No álbum teremos os sete enredos das escolas do Grupo de Acesso + os sete enredos das escolas que compõem o Grupo Especial.

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Eita – Braza (2025)

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A banda Braza traz o projeto Eita, que nos reforça outra evidência: o Brasil não abandona suas matrizes, regatamos e atualizamos novos olhares. O reggae como chão harmônico flutua com baião, rap, samba e repente. “Vamo que vamo / Entre o sagrado e o profano / Entre o certo e o engano / Prevalecerá / Quem nesse game / Vem pra viver cada frame / E deixa que a brasa queime / Sem medo de amar”.

A guitarra baiana acelera o quadril e lembra que ritmo também é corpo. Essa base híbrida é o retrato mais fiel da contemporaneidade brasileira. Não existe pureza sonora aqui. Existe circulação, mostra folclore, inclui linguagens regionais e une tudo em harmonia musical perfeita. Uma cartografia perfeita como o carnaval propõe: “Explodiu ? O carrossel de emoção e toda dor sumiu / Olhei pro céu e o clarão de um portal se abriu / O bloco passa e e u me entrego à massa / Integro a massa”.

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Canto Djavan – Slap (2025)

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E quando seis artistas se unem sob o selo Slap, para revisitar Djavan em Canto Djavan, a ideia de memória ganha contorno ainda mais sofisticado. Regravar não é repetir; é expandir e recontar cada uma das histórias já ditas. Doze novos timbres para melodias já eternas provam que a tradição brasileira não é museu, é organismo vivo. O Brasil honra seus mestres não congelando-os, mas reinterpretando-os. E esse projeto é uma prova cabal dessa capacidade de reinventar clássicos e aproximar jovens de mentores honrados do nosso repertório brasileiro. Os artistas Jota.Pê, Melly, Luccas Carlos, Hodari, Bruna Black e Jonathan Ferr, se somam nessa produção que transita pela obra de um de nossos melhores jazzistas brasileiros. Recompondo tons e timbres, misturando seus pontos de vista musicais e nos entregam amor em forma sonora consistente e revigorada.

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Single: De Manhã Vem O Sol – Dre Guazzelli (2025)

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Por fim, Dre Guazzelli surge com De Manhã Vem o Sol como quem anuncia que o verão é permanente. Parceria com o cantor Haaori, já reconhecido no estilo de música rezo é entusiasta da magia sonora, com o propósito de cantar e manifestar através da música a essência divina de cada ser. Nesse trio eletrônico, mistura axé e energia solar. No refrão “Eu sou brasileiro e carregado de axé” não soa como slogan, mas sim como estado de espírito e chega para iluminar nosso olhar para o futuro. Se o sol nasce todo dia, o Brasil também nasce em ritmo e nós podemos partir na direção de nossos sonhos e conquistas. Aqui, o trio tradicional encontra sua versão eletrônica, e a rua continua sendo pista para muito mais gente brilhar e brincar.

O que une todos esses trabalhos é uma certeza silenciosa: o Brasil contemporâneo não trabalha em caixinhas de gênero. A rua continua sendo centro criativo. A memória não é estática, é remix. E o Carnaval não é tema sazonal, já que é nossa matriz permanente. Ele nos ensinou a misturar antes mesmo que chamássemos isso de fusão. Nos ensinou a ocupar antes mesmo que chamássemos isso de movimento. E segue ensinando, enquanto houver som circulando entre nós.

Porque, no fim, o Brasil não lança apenas discos. Ele continua inventando maneiras de cantar junto.

Vida longa ao tempo de Carnaval. – Leollo Lanzone

Leollo

Leollo Lanzone é o alter ego de Mauro Galasso, que é de verdade, mas não cabia numa persona só. Tem olhar objetivo e sensível, tem o hábito de montar playlists, adora dançar eletrônico, sabe cozinhar, falar de amizade e tem opinião sobre quaaase tudo.




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