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Da Serra ao Mar: natureza e sustentabilidade na Baixada Santista



baixada santista

Quando se fala em Baixada Santista, é quase automático pensar em praia. E não há nada de errado nisso. Temos quilômetros de litoral, paisagens belíssimas e cidades que fazem parte da memória afetiva de gerações de turistas.

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Mas basta sair um pouco da areia para descobrir outra baixada.

Uma região de Mata Atlântica, serras, manguezais, rios, cachoeiras, trilhas, parques e áreas de preservação. Um território onde, em relativamente poucos quilômetros, podemos sair do nível do mar e chegar à Serra do Mar, atravessando diferentes paisagens e encontrando possibilidades de turismo que ainda estão longe de ser exploradas de maneira integrada.

Talvez seja justamente aí que esteja uma das maiores riquezas turísticas da nossa região.

A Baixada Santista não precisa escolher entre turismo de praia, cultural ou de natureza. Pode oferecer tudo isso em uma mesma viagem.

Imagine alguém que chega à região para passar quatro ou cinco dias. Em vez de permanecer todo o período em uma única cidade, esse visitante poderia conhecer praias, fazer uma trilha, visitar uma unidade de conservação, observar manguezais, conhecer um pouco da história da ocupação da Serra do Mar e ainda terminar o dia diante do mar. Essa combinação é extremamente contemporânea.

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Cada vez mais viajantes procuram experiências ao ar livre, contato com a natureza, lugares menos óbvios e atividades que permitam conhecer o território de uma maneira mais verdadeira. E nós temos tudo isso praticamente no quintal.

Da Serra do Mar ao oceano

Poucas regiões brasileiras possuem uma geografia tão interessante quanto a nossa: De um lado, o Atlântico, do outro, a Serra do Mar. Entre eles estão áreas urbanas, rios, estuários, manguezais e uma das porções mais importantes de Mata Atlântica preservada do país.

Em Cubatão, por exemplo, os Caminhos do Mar, no Parque Estadual Serra do Mar, permitem unir natureza e história em uma mesma experiência. A antiga estrada, os monumentos históricos, os mirantes e a própria dimensão da Serra ajudam a contar como esse território foi fundamental para a ligação entre o litoral e o planalto.

Em Bertioga, a natureza assume outras formas, com restingas, rios, Mata Atlântica e áreas preservadas que permitem atividades de ecoturismo e educação ambiental.

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Peruíbe guarda uma das maiores joias ambientais do litoral paulista: a região da Juréia, além de rios, cachoeiras, trilhas e paisagens que mostram uma Baixada completamente diferente daquela dos cartões-postais mais conhecidos.

Itanhaém, Mongaguá, Praia Grande, São Vicente, Santos e Guarujá também possuem áreas naturais, morros, parques, trilhas, costões e paisagens que podem ampliar muito a experiência de quem visita à região.

O interessante é justamente perceber que não precisamos colocar essas possibilidades para competir umas com as outras. Precisamos conectá-las.

Natureza também é produto turístico: Ter natureza bonita não significa, automaticamente, ter um produto turístico e essa diferença é importante.

Para que uma paisagem se transforme em experiência turística, é preciso pensar em acesso, informação, segurança, sinalização, guias ou monitores quando necessários, horários, capacidade de visitação e, principalmente, preservação.

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Não adianta divulgar um lugar maravilhoso e depois descobrir que ele não possui estrutura para receber o número de visitantes atraídos pela divulgação.

Turismo de natureza precisa caminhar ao lado da sustentabilidade.

E sustentabilidade não deve aparecer apenas como uma palavra bonita nos projetos. Significa respeitar limites ambientais, valorizar comunidades locais, evitar degradação, orientar visitantes e garantir que o turismo ajude a conservar aquilo que justamente motivou a viagem. É uma conta simples: se destruirmos o atrativo, destruímos também o turismo.

O turista não enxerga fronteiras municipais

Esse talvez seja um dos pontos que mais precisamos compreender quando falamos de turismo regional. Quem viaja não está preocupado com limites administrativos.

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O visitante pode acordar em Santos, passar a manhã em Cubatão, almoçar em São Vicente, seguir para uma experiência em Praia Grande e dormir novamente em Santos. Para ele, tudo isso fez parte da mesma viagem.

Somos nós que muitas vezes insistimos em apresentar cada município isoladamente. E quando fazemos isso, diminuímos a força do destino.

Imagine uma Rota da Natureza da Baixada Santista, reunindo experiências selecionadas nas nove cidades. Não seria necessário colocar tudo em um único roteiro. Poderíamos ter circuitos de um dia, finais de semana temáticos, experiências para famílias, atividades de aventura, observação da natureza, educação ambiental e roteiros combinando natureza, gastronomia e cultura.

É justamente essa diversidade que pode fazer o visitante permanecer mais tempo na região. E permanência significa hospedagem, alimentação, transporte, comércio, guias, passeios e geração de renda.

Algumas maneiras de começar: Nem sempre integrar o turismo exige grandes obras. Muitas vezes, o primeiro passo é organizar melhor aquilo que já existe.

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Mapear as experiências de natureza. Quais estão realmente preparadas para receber visitantes?

Criar conexões entre os municípios. Um atrativo pode indicar outro e ajudar o turista a continuar sua viagem pela região.

Capacitar quem recebe. Guias, monitores, meios de hospedagem, restaurantes e comércio precisam conhecer o território para poder recomendá-lo.

Criar pequenos roteiros integrados. Serra + mar. Natureza + gastronomia. Trilha + patrimônio histórico. Manguezal + cultura caiçara.

Comunicar a região como um destino. Mostrar ao visitante que ele pode montar diferentes viagens dentro da própria Baixada Santista.

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E, acima de tudo, fazer tudo isso respeitando os limites ambientais de cada lugar. Porque talvez nosso maior patrimônio turístico seja justamente essa combinação rara que aprendemos a considerar comum por estar tão perto de nós.

Temos serra e mar. Mata Atlântica e praias. Manguezais e cidades. História e natureza convivendo no mesmo território.

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Talvez esteja na hora de nós mesmos voltarmos a olhar para essa paisagem com olhos de viajante.

Escolha um lugar da Baixada Santista onde você nunca esteve. Faça uma trilha, visite um parque, conheça um rio, observe a serra de outro ângulo.

Você pode descobrir que não precisa viajar centenas de quilômetros para encontrar uma experiência completamente diferente.

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Às vezes, o próximo destino está a poucos quilômetros de casa. E talvez o primeiro passo para transformar a Baixada Santista em um grande destino integrado seja justamente começarmos a conhecê-la por inteiro.

Um excelente final de semana a todos!

Grande abraço 😊

Selma Cabral.

Selma Cabral

Selma Cabral- Diretora e Consultora de Turismo e Eventos na Empresa Turismo & Ideias e Colunista e Mentora para Negócios no portal Conteúdo e Mais.




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