
No próximo domingo, 27 de setembro, celebramos o Dia Mundial do Turismo. E, pensando sobre o que escrever nesta semana, percebi que talvez uma das melhores formas de celebrar essa data seja lembrar por que continuamos viajando.
E nada como um título que já diz tudo o que sentimos e gostamos:
Ainda bem que o mundo é grande e ainda bem que existem cidades onde nunca estivemos, sabores que ainda não experimentamos, ruas pelas quais nunca caminhamos e histórias que ninguém nos contou.
Há algo de maravilhoso em saber que, por mais que viajemos, sempre haverá um lugar desconhecido esperando por nós.
E talvez uma das coisas mais bonitas de viajar seja justamente essa sensação de que nunca terminaremos.
Não existe uma última viagem capaz de encerrar todas as possibilidades. Não existe uma lista que, depois de completamente marcada, nos permita dizer: pronto, agora conheço o mundo.
Quanto mais conhecemos, mais descobrimos o tamanho daquilo que ainda não conhecemos.
Visitamos uma cidade e alguém nos fala de outra ali perto. Experimentamos um prato e descobrimos uma história. Entramos numa pequena igreja e queremos entender quem a construiu. Conversamos com um morador e saímos com três lugares anotados num pedaço de papel.
Uma descoberta quase sempre puxa outra.
Talvez por isso viajar seja tão fascinante para quem é curioso.
O viajante curioso não quer apenas chegar. Quer entender.
Por que aquela comida é preparada daquele jeito? Quem morava naquela casa? Por que a festa acontece justamente naquele mês? De onde veio aquele costume? O que existe depois daquela curva? Onde as pessoas dali gostam de tomar café?
E, de repente, aquilo que seria apenas uma visita ganha camadas.
Também gosto da ideia de que não precisamos atravessar oceanos para experimentar essa sensação, pois o desconhecido pode estar muito perto: numa cidade vizinha pela qual passamos dezenas de vezes sem nunca parar, em um bairro da nossa própria cidade que conhecemos pouco, em uma trilha que nunca fizemos, em um mercado onde nunca entramos, em uma pequena festa tradicional que acontece todos os anos sem que tenhamos prestado atenção.
Há mundos inteiros escondidos perto de casa. Talvez viajar tenha menos relação com distância do que imaginamos. Às vezes, basta mudar o olhar.
É possível atravessar milhares de quilômetros e permanecer indiferente a tudo. E é possível percorrer poucos quilômetros e voltar cheio de histórias.
Porque a viagem também acontece na disponibilidade para descobrir, na conversa que não estava programada, no café onde resolvemos parar, na rua errada que nos levou a uma praça bonita, no prato que pedimos sem saber exatamente o que viria, naquele lugar que nem aparecia no roteiro e acabou se tornando uma das melhores lembranças.
É claro que planejamos. Reservamos hotéis, compramos passagens, pesquisamos restaurantes, marcamos pontos no mapa. E ainda bem que fazemos isso.
Mas gosto de pensar que todo bom roteiro deveria deixar algum espaço vazio e sempre faço, pois não gosto de roteiro com mil programações.
Gosto de deixar espaço para aquilo que ainda não sabemos que vamos encontrar.
Talvez seja justamente ali que more uma parte importante da viagem.
Atualmente podemos pesquisar de maneira simples e rápida praticamente tudo antes de sair de casa. Podemos ver fotografias, mapas, avaliações, cardápios, vídeos e até caminhar virtualmente pelas ruas de uma cidade que está do outro lado do mundo.
Isso é extraordinário.
Mas ainda não inventaram tecnologia capaz de substituir completamente a sensação de estar lá.
O cheiro de uma rua.
O barulho de uma praça.
A temperatura do vento.
O sotaque de quem nos dá uma informação.
O sabor de alguma coisa que nunca havíamos provado.
A surpresa de olhar para um lugar e perceber que ele é diferente do que imaginávamos.
É por isso que continuamos indo.
E espero que continuemos.
Que nunca percamos a curiosidade de virar uma esquina só para descobrir o que existe depois dela.
Que continuemos perguntando, experimentando, observando e nos surpreendendo.
Que ainda existam muitos mapas para abrir e muitos lugares para os quais possamos dizer: “um dia eu quero conhecer”.
Porque talvez uma das melhores notícias que podemos receber seja justamente esta: não importa quantos lugares já conhecemos.
Ainda há muito para ver.
Muito para provar.
Muito para ouvir.
Muito para descobrir.
Ainda bem!!!!!
Neste Dia Mundial do Turismo, talvez seja isso que eu queira celebrar: a nossa capacidade de continuar curiosos diante de um mundo que nunca terminamos de conhecer.
E que seguimos sempre com essa curiosidade de desbravar o mundo mesmo que ele seja do lado de casa!
Um excelente final de semana a todos!
Grande abraço 😊





