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O Segundo Tempo é quando passamos a escolher nossos projetos



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Durante muito tempo, nossa vida profissional é feita também pelos projetos que chegam até nós. Aceitamos trabalhos porque precisamos construir experiência, ampliar repertório, pagar as contas, abrir caminhos, conhecer pessoas, provar muitas vezes para nós mesmos do que somos capazes. E isso tem valor.

Cada projeto deixa alguma coisa. Até aqueles que não deram certo. Até os que exigiram demais. Até aqueles que, olhando hoje, talvez não aceitássemos novamente.

Alguns nos deram experiência. Outros nos apresentaram pessoas importantes. Houve os que abriram portas, os que ensinaram aquilo que nunca mais queríamos repetir e até aqueles que pareciam pequenos quando começaram, mas acabaram mudando completamente uma trajetória.

Nada disso precisa ser desprezado. Mas chega um momento em que alguma coisa muda.

Não necessariamente porque podemos escolher tudo. A vida real continua tendo compromissos, responsabilidades e necessidades. Nem sempre teremos o privilégio de trabalhar apenas naquilo que desejamos.

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O que muda é a nossa capacidade de reconhecer o que vale a pena.

Talvez esse seja um dos grandes privilégios do segundo tempo: começamos a escolher nossos projetos com outros critérios.

Já não basta perguntar quanto vamos ganhar, quanto tempo vai durar ou qual será a nossa função.

Começamos a fazer outras perguntas:

Isso faz sentido para mim?

Eu quero colocar meu nome nisso?

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Tenho alguma coisa verdadeira para contribuir?

Esse projeto conversa com aquilo em que acredito?

Vou aprender alguma coisa?

Ele me aproxima ou me afasta da vida profissional que desejo construir?

E talvez uma das perguntas mais importantes:

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Eu quero mesmo estar aqui?

A experiência nos dá uma espécie de bússola.

Depois de muitos caminhos percorridos, aprendemos a identificar mais rapidamente os projetos que nos despertam entusiasmo e aqueles que provavelmente consumirão muito mais do que irão acrescentar.

E esse “acrescentar” não precisa ser apenas financeiro.

Há projetos que nos pagam em conhecimento. Outros ampliam nossa rede de relações. Alguns nos colocam diante de desafios que desejávamos experimentar. Existem aqueles que dão visibilidade ao nosso trabalho e os que simplesmente nos proporcionam a satisfação de participar de algo em que acreditamos.

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O problema talvez esteja quando não conseguimos encontrar nenhuma dessas respostas.

Quando um projeto não remunera adequadamente, não ensina, não abre caminhos, não nos desafia de maneira positiva, não conversa com nossos valores e ainda consome uma quantidade enorme de tempo e energia, talvez seja importante perguntar por que continuamos dizendo sim.

Essa é uma pergunta que raramente fazemos no início da carreira.

No começo, muitas vezes queremos oportunidades.

Depois, começamos a querer propósito.

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E propósito aqui não precisa ser uma grande missão capaz de mudar o mundo. Pode ser algo muito mais simples: perceber que aquilo que fazemos tem coerência com a história profissional que estamos construindo.

Com o tempo, também aprendemos que entusiasmo não é um detalhe.

Existem projetos que, só de começarmos a conversar sobre eles, fazem surgir ideias. Imaginamos possibilidades, pensamos em soluções, queremos pesquisar, criar, experimentar.

Outros provocam exatamente o contrário. Antes mesmo de começarem, já parecem pesados.

Talvez o corpo e a intuição percebam algumas coisas antes da planilha.

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Isso não significa tomar decisões apenas pela emoção. Significa incluir na decisão uma pergunta que muitas vezes esquecemos: quanto de mim esse projeto vai exigir e quanto estou disposta a entregar?

Porque tempo é recurso.

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Energia é recurso.

Conhecimento é recurso.

Experiência é recurso.

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E chega uma fase da vida em que percebemos que não precisamos colocar esses recursos em todas as oportunidades que aparecem.

Podemos reservá-los para aquilo que realmente queremos construir.

Aprendemos também que dizer “não” pode ser uma decisão profissional tão importante quanto dizer “sim”.

Não por arrogância.

Por consciência.

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Um “não” pode proteger espaço para um projeto que ainda nem chegou. Pode preservar tempo para estudar, criar algo próprio, desenvolver uma ideia antiga ou simplesmente viver outras dimensões da vida que durante muitos anos ficaram esperando um intervalo na agenda.

Talvez esse seja outro aprendizado importante do segundo tempo: agenda cheia e vida profissional significativa não são necessariamente a mesma coisa.

Durante muito tempo, fomos ensinados a associar movimento a sucesso. Quanto mais reuniões, compromissos, projetos e tarefas, maior parecia nossa importância.

A maturidade pode nos ensinar outra medida.

Não quantas coisas estamos fazendo, mas quais delas realmente merecem estar ocupando nossos dias.

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E há uma diferença enorme entre trabalhar apenas para entregar alguma coisa e trabalhar porque acreditamos no que aquela entrega pode provocar.

No segundo tempo, talvez passemos a procurar menos projetos para preencher a agenda e mais projetos capazes de deixar alguma coisa depois que terminam.

Uma transformação.

Uma memória.

Uma oportunidade para alguém.

Um conhecimento que continua circulando.

Uma ideia que pode crescer sem depender de nós.

Um legado, ainda que pequeno.

É curioso perceber que, quando somos mais jovens, muitas vezes imaginamos que liberdade profissional significa poder fazer tudo o que desejamos.

Com o tempo, descobrimos outra liberdade.

A liberdade de não precisar fazer tudo.

De escolher algumas batalhas.

De deixar algumas oportunidades passarem.

De reconhecer que nem todo convite precisa virar compromisso.

De entender que aquilo que recusamos também ajuda a definir aquilo que estamos construindo.

Escolher não significa diminuir sonhos.

Pode significar exatamente o contrário.

Significa reconhecer quais sonhos ainda merecem o nosso tempo.

Porque o segundo tempo não precisa ser o período em que fazemos menos.

Pode ser aquele em que fazemos com mais intenção.

Em que trocamos quantidade por significado.

Em que usamos tudo aquilo que aprendemos não apenas para realizar bons projetos, mas também para decidir quais deles merecem receber o melhor de nós.

E talvez essa seja uma das maiores conquistas profissionais que o tempo pode proporcionar: não apenas saber fazer, mas finalmente saber escolher o que queremos fazer.

Uma excelente semana a todos!

Grande abraço 😊

Selma Cabral.

Selma Cabral

Selma Cabral- Diretora e Consultora de Turismo e Eventos na Empresa Turismo & Ideias e Colunista e Mentora para Negócios no portal Conteúdo e Mais.




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