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As melhores parcerias começam pela confiança



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Ao longo da vida profissional, aprendemos a avaliar propostas, analisar currículos, conferir experiências, discutir valores, estabelecer responsabilidades e colocar acordos no papel. Tudo isso é importante. Mas existe algo que nenhum contrato consegue criar sozinho: confiança.

Talvez por isso algumas das melhores parcerias profissionais comecem muito antes de existir um projeto.

Começam numa conversa. Em um trabalho anterior. Em uma indicação. Na maneira como alguém cumpre o que prometeu. Na disponibilidade para resolver um problema sem procurar culpados. No respeito demonstrado quando não havia nenhum benefício imediato em ser gentil.

Confiança vai sendo construída nesses pequenos lugares.

Com o tempo, passamos a perceber que competência é fundamental, mas não é suficiente. Podemos encontrar profissionais tecnicamente excelentes com quem jamais desejaríamos dividir um projeto. E podemos encontrar pessoas com habilidades diferentes das nossas que se tornam parceiros extraordinários justamente porque existe segurança na relação.

Segurança para dizer: “não sei”. Para discordar. Para admitir um erro.

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Para dividir uma ideia ainda incompleta e para confiar uma parte importante do trabalho sabendo que ela será cuidada.

Parceria verdadeira não significa concordar com tudo. Aliás, algumas das melhores pessoas com quem trabalhei foram justamente aquelas capazes de questionar, apontar riscos e enxergar aquilo que eu não estava vendo.

A diferença está na intenção.

Existe uma enorme distância entre quem questiona para contribuir e quem questiona para competir. Entre quem soma conhecimento e quem precisa demonstrar que sabe mais. Entre quem celebra o resultado coletivo e quem está permanentemente preocupado em saber de quem será o mérito.

E talvez essa seja uma das grandes aprendizagens do segundo tempo profissional: escolher melhor com quem queremos construir.

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E escolher melhor também significa aprender a observar.

Nem sempre percebemos imediatamente quando uma relação é sustentada mais pelo interesse do que pelo afeto, pela amizade ou pela vontade genuína de construir juntos. Algumas pessoas permanecem próximas enquanto existe um projeto, uma oportunidade, um contato, uma posição ou alguma coisa que podemos oferecer.

O tempo, porém, costuma revelar aquilo que a primeira impressão não mostra.

Quem procura você também quando não precisa de nada? Quem se interessa pelo que acontece com você quando não existe nenhuma oportunidade envolvida? Quem continua por perto depois que o projeto termina? E, talvez mais revelador ainda, como essa pessoa trata aqueles que, naquele momento, não têm nada a oferecer?

São pequenas pistas.

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Também aprendemos a observar quem reconhece o trabalho dos outros, quem guarda uma confidência, quem mantém a postura independentemente de quem esteja na sala e quem aparece quando é você que precisa.

Talvez a confiança não seja descobrir antecipadamente quem nunca vai nos decepcionar. Talvez seja aprender, com o tempo, a reconhecer quem permanece quando já não há nada a ganhar.

Isso não significa tornar-se desconfiado. Há uma diferença enorme entre viver desconfiando das pessoas e aprender a prestar atenção aos padrões.

As decepções podem nos fechar ou podem nos ensinar. Prefiro acreditar na segunda possibilidade. Continuar confiando, mas com mais discernimento. Continuar construindo relações, mas entendendo que proximidade não é necessariamente amizade e que convivência não significa reciprocidade.

Quando somos mais jovens, muitas vezes aceitamos parcerias porque parecem oportunidades. O projeto é interessante, a empresa é importante, o convite parece irrecusável ou acreditamos que determinada aproximação poderá abrir portas.

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Depois de algum tempo, começamos a fazer outras perguntas.

Como essa pessoa trabalha quando surge uma dificuldade? Ela respeita os acordos? Cumpre prazos? Consegue conversar quando algo não sai como previsto? Reconhece o trabalho dos outros? É transparente quando existem interesses diferentes?

E uma pergunta que considero ainda mais importante: eu teria tranquilidade em colocar meu nome ao lado do nome dessa pessoa?

Porque reputação também se compartilha.

Quando entramos em um projeto conjunto, não estamos apenas dividindo tarefas. Estamos, de alguma maneira, emprestando nossa credibilidade uns aos outros.

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Por isso confiança não significa ingenuidade.

Uma parceria baseada em confiança continua precisando de contratos, responsabilidades definidas, orçamento, cronograma e limites claros. Talvez precise ainda mais.

O contrato protege a relação. A confiança dá sentido a ela.

E existe uma diferença importante entre confiar em alguém e simplesmente gostar dessa pessoa. Podemos gostar muito de alguém e descobrir que profissionalmente não funcionamos bem juntos. Da mesma forma, podemos construir excelentes relações profissionais com pessoas muito diferentes de nós.

Confiança profissional nasce de consistência.

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É observar que aquilo que alguém diz combina com aquilo que faz.

É saber que uma conversa reservada continuará reservada.

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É perceber que, diante de um problema, a pessoa procurará uma solução e não uma saída para proteger apenas a própria imagem.

É saber que haverá espaço para uma conversa difícil sem que isso destrua a relação.

Talvez por isso as boas parcerias sejam tão valiosas. Quando encontramos pessoas assim, trabalhamos melhor. Há menos energia desperdiçada tentando interpretar intenções, proteger território ou prever movimentos. Essa energia pode ser usada justamente onde deveria estar: para criar, resolver, inovar e realizar.

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No segundo tempo da vida profissional, isso é muito importante e valioso.

Já não precisamos colecionar contatos. Precisamos reconhecer conexões.

Não precisamos estar em todos os projetos. Precisamos estar nos projetos certos, com pessoas com quem exista respeito, reciprocidade e propósito.

Algumas parcerias durarão muitos anos. Outras existirão apenas durante um projeto e terminarão quando ele acabar. E tudo bem. Nem toda boa parceria precisa ser eterna.

Mas, enquanto existir, precisa ser verdadeira.

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Porque projetos podem começar por oportunidade.

Negócios podem começar por interesse.

Contratos podem começar por necessidade.

Mas as melhores parcerias quase sempre começam de outro jeito.

Começam quando duas pessoas percebem que podem confiar uma na outra. E, quando isso acontece, o trabalho deixa de ser apenas uma soma de competências. Torna-se construção compartilhada.

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Uma excelente semana para todos!

Grande abraço 😊

Selma Cabral

Selma Cabral

Selma Cabral- Diretora e Consultora de Turismo e Eventos na Empresa Turismo & Ideias e Colunista e Mentora para Negócios no portal Conteúdo e Mais.




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