
Leollo Lanzone acredita que ouvir música é uma maneira de compreender a vida. Seus textos raramente falam apenas de discos, artistas ou festivais. A música é sempre o ponto de partida para conversas sobre comportamento, memória, tecnologia, corpo, amizade, cultura e tudo aquilo que nos torna profundamente humanos. Para ele, escutar é um exercício de presença. É perceber que cada canção pode revelar algo sobre quem fomos, quem somos e quem ainda desejamos nos tornar.
A música acompanha os grandes acontecimentos da existência. Ela embala encontros e despedidas, celebra conquistas, consola perdas, marca viagens, aniversários, amores e recomeços. Muitas vezes esquecemos datas, mas nunca esquecemos a canção que tocava naquele instante. É por isso que Leollo acredita que nossa memória também é sonora. Cada pessoa carrega uma trilha invisível que ajuda a contar sua própria história.

Balaio do Leollo: A música nos ensina a ouvir o mundo.
Jornalista de formação, pesquisador por natureza e curioso por vocação, cultiva o hábito de montar playlists, descobrir novos artistas e transformar audições em narrativas. Gosta de dançar música eletrônica, cozinhar para amigos, conversar por horas e colecionar perguntas mais do que respostas. Sua mente é sonora: pensa através dos ritmos, das letras, das texturas e das emoções que cada canção desperta. Ouvir, para ele, nunca foi um ato corriqueiro; sempre foi uma forma de investigar o mundo.
Sua curiosidade atravessa estilos, idiomas e fronteiras. Da MPB ao afro house, do jazz ao manguebeat, do techno melódico às brasilidades, do soul ao eletrônico contemporâneo, Leollo procura artistas que tratam a música como linguagem viva. Encanta-se especialmente pelas obras que revelam pesquisa, identidade e coragem criativa. Sonoridades que não existem apenas para preencher o silêncio, mas para provocar movimento, ampliar repertórios e despertar novas formas de sentir. Como dizem os italianos, tiramisù: aquilo que nos joga para cima, nos levanta e impulsiona. Quando uma sonoridade nos faz sair da escuta um pouco maiores do que entramos.
Toda boa escuta é por sí só, um exercício de empatia.
Essa busca também exige senso crítico. Leollo não acredita que toda música produza os mesmos efeitos. Assim como existem livros que ampliam nossa visão de mundo e outros que apenas ocupam espaço, também existem sonoridades que alimentam a curiosidade, a sensibilidade e a imaginação, enquanto outras se limitam ao consumo rápido e ao esquecimento imediato. Seu interesse nunca foi estabelecer uma hierarquia entre gêneros musicais, mas desenvolver um ouvido atento, capaz de reconhecer quando uma obra possui verdade artística, potência criativa e capacidade de permanecer viva para além das tendências do momento.
Ao lado de Mauro Galasso, atua na criação de conteúdos, programas de formação, consultorias, podcasts e projetos de comunicação. Mas é no Balaio do Leollo que encontra seu lugar mais íntimo: uma espécie de sala de audição onde livros, discos, fones de ouvido, luz baixa e tempo convivem para lembrar que escutar também é uma forma de viver. Um espaço em que a música deixa de ser apenas entretenimento para se tornar ferramenta de reflexão, encontro e descoberta.
O Balaio do Leollo não pretende ensinar o que ouvir. Pretende ensinar a ouvir melhor. Acredita que a curiosidade continua sendo o maior algoritmo da humanidade e que cada artista descoberto amplia um pouco nosso vocabulário emocional. Porque ouvir música também é aprender a ouvir pessoas, culturas, histórias e silêncios. No fim das contas, toda boa escuta é por sí só, um exercício de empatia.
*Leollo Lanzone é o alter ego de Mauro Galasso. Mauro existe de verdade. Apenas descobriu que uma única persona não seria suficiente para acomodar todas as formas pelas quais escolheu dialogar com o mundo.
Vida longa às confissões feitas através da música – Leollo Lanzone






