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Eclipse Lunar em 03/03: Morte e Destruição com a Deusa Kali Ma



eclipse lunar

Estamos vivendo um momento raro astrológico, espiritual e energético de uma janela entre dois eclipses. O primeiro eclipse solar do ano em fevereiro ativou a energia do fogo, da destruição e transmutação simbolizada pelo sol, considerado o arquétipo do sagrado masculino. Agora no início do mês de Março teremos outro eclipse lunar, que ativará a energia do arquétipo feminino, o lado feminino de Deus, que convida para a introspecção, purificação de emoções, liberação de apegos e padrões que já não servem mais ao crescimento da alma.

Para as civilizações antigas a lua sempre representou o lado sombrio da alma, a parte escura que temos medo de acessar até mesmo quando estamos sozinhos calados em nossos próprios pensamentos mais obscuros de medo, inveja, raiva e vitimização. Num eclipse lunar a lua encobre o sol, que representa a nossa sombra submergindo para ser vista, reconhecida, acolhida e integrada por nós.

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Passar por este processo de reconhecimento não é algo bem visto em nossa sociedade ocidental sustentada por padrões de racionalismo das emoções, busca por perfeccionismo, produtividade e competitividade. Pessoas emotivas são vistas como fracas, reconhecer erros e vulnerabilidades pode ser interpretada como incapacidade, e portanto não tem espaço num mercado de trabalho tão seletivo e escasso.

Ao contrário deste ponto de vista, na cultura oriental a sombra é considerada como parte saudável da alma, baseada na compreensão que somos aprendizes experienciando uma breve jornada num corpo físico. Este entendimento tira o peso das imperfeições, em reconhecer que os erros desta existência não anula a sua luz, e tão pouco define quem você é por alma. Ou seja, para o mundo oriental a consciência é eterna e é compreendida muito além das repetições de crenças e padrões criados pelas sucessivas reencarnações presa nas limitações de dualidade neste planeta.

Como exemplo desta mentalidade oriental, no pantheon dos deuses hindu, há a famosa deusa Kali Ma, representada com a lingua para fora, um colar de caveiras e uma cabeça decapitada nas mãos. De acordo com a mitologia hindu, a deusa Kali é uma das faces da esposa de Shiva, considerado um dos principais deuses da Trimúrti (a trindade sagrada).

Na Trimúrti, a fonte criadora se divide em três pilares para sustentar a vida, sendo formada por Brahma (o deus que cria), Vishnu (o deus que preserva) e Shiva (o deus que destrói). Ao fazer uma analogia para o conceito de trindade ocidental, Brahma é a figura do Pai (Criador), Vishnu é a figura do Filho (Redentor), e Shiva é a figura do Espírito Santo, aquele que destrói para criar algo novo, ou seja, purificar a alma.

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Neste sentido, este período de eclipse estamos trabalhando a energia de Shiva, da destruição do ego, para que alma possa se libertar, sendo um eclipse lunar, esta energia de destruição é trabalhada pelo lado feminino de Shiva, sua alma gêmea Parvati, que tem o seu lado sombrio representado pela deusa Kali Ma. 

Como na religião hindu eles acreditam em multidimensionalidades, os deuses se subdividem em arquétipos para representar uma parte da sua consciência ou energia, neste caso o lado sombrio de Parvati é representado por Kali Ma. De acordo com a mitologia hindu, Kali foi invocada para destruir o demônio (ego), cujo sangue ao cair sobre o solo gerava novos demônios, assim ela o decapitou e bebeu o seu sangue a fim de impedir a sua multiplicação. Desta forma, o seu colar de caveiras representa os egos que foram mortos, ou seja, partes do ego que são integradas a alma para a libertação do Espirito. Enquanto a lingua para fora simboliza a vergonha e a surpresa ao mesmo tempo, por ter pisado em seu marido Shiva, sem perceber, após um ataque de fúria na luta contra o demônio (seu próprio ego).

Neste eclipse, convido você a acolher as suas emoções ao invés de reprimi-las… porém esse exercício deve ser realizado de forma consciente, com presença e responsabilidade. Aprenda a ser um canal para as suas emoções, sinta, chore… mas não permita que elas definam quem você é! Olhe para elas como um Observador, deixe elas reivindicarem suas dores, lamentar falas reprimidas, acolha com compaixão… e se perdoe! Evite de se prender em novos ciclos repetitivos de culpa ou vitimismo. Com presença, respire fundo e pergunte ao seu coração… qual parte do seu ego deseja ser visto e reconhecido por você, ao aceitar esta parte sua ferida, perdoe a si, ao outro, e agradeça pelo aprendizado.

Imagem: Kali retratada pelo pintor indiano Raja Ravi Varma, 1910.

Rita Malta

Rita Malta é terapeuta holística que transformou uma carreira corporativa em um caminho de cura, espiritualidade e conexão com a natureza.Defende a espiritualidade como uma experiência livre de dogmas, vivida na simplicidade, na natureza e na reconexão entre corpo, mente e espírito.




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