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Nesses Caminhos Que A Gente Não Vê




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“Eu Sou O Meu Lugar”

Olá audiófilos. Chegamos a última coluna do ano de 2025. Tantas boas lembranças de estarmos aqui semanalmente, abordando como a música nos fortalece em sorrisos, desacelera o stress ou serve de bússola para trilhar caminhos da criatividade.

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Encerrar 2025 é, para mim, menos sobre fazer um balanço externo e mais sobre reconhecer o que atravessei por dentro. Houve altos, houve baixos. Houve dias de clareza e outros em que tudo parecia ruído. E, ainda assim, segui. Nem sempre firme. Nem sempre seguro. Mas atento ao meu ritmo, onde a música sempre foi minha aliada.

Enquanto escrevia sobre música ao longo deste ano, o Balaio do Leollo conduziu um espaço de reflexão. E, quase sem perceber, enquanto refletia sobre sons, artistas e caminhos culturais, fui cada vez mais fundo em mim. Revolvi cantos do meu íntimo que estavam silenciosos demais, guardados demais. Descobri que pensar música também era pensar existência.

Perguntas me acompanharam como um refrão íntimo: “Quantas palavras cabem na minha boca / Quantas histórias aguenta o coração?” Perguntas que não pedem respostas rápidas, mas honestidade emocional. Porque viver também é aprender a sustentar o que não se resolve de imediato.

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“Há uma trilha aqui, quase uma estrada. Uma avenida ali, mata fechada”

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Neste ano, precisei me olhar sem atalhos. Reconhecer limites. Rever escolhas. Aceitar que nem toda força é visível, já que algumas nascem justamente quando a gente admite o cansaço. A terapia me ensinou isso: a verdadeira coragem não está em negar a dor, mas em atravessá-la com escuta, responsabilidade e presença.

A música esteve comigo o tempo todo. Não como fuga, mas como travessia. A escuta musical é também, e sobretudo, uma experiência do corpo, que responde, ressoa e dança mesmo quando estamos imóveis. Em cada turbulência interna, o som me ajudou a atravessar. Às vezes sustentando, às vezes embalando, às vezes apenas ficando ao meu lado me lembrando do detalhe: “respire no ritmo”.

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“A plenitude de saber que o coração tremeu de medo”

Houve perdas. Houve uma que mudou tudo para mim: A partida de Mãinha.

Foi aí que compreendi, mais uma vez, o poder silencioso da música. Ela não interrompe o choro, mas o acompanha. Não apaga a ausência, mas dá contorno à saudade. No velório de Mãinha, a música foi colo e abraço. A sonoridade foi uma ponte entre toda a parceria que formamos e o que continuaremos sendo, mesmo sem ela aqui ao nosso lado.

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Percebi, então, que muito do que hoje carrego com mais consciência nasceu de perdas necessárias. Como canta Jota.Pê: “E tudo o que eu ganhei só por perder na hora certa / Nesses caminhos que a gente não vê.” Há decisões e despedidas que doem no instante em que acontecem, mas nos salvam mais adiante. Crescer também é aprender a soltar e a honrar quem partiu.

Conduzir sempre foi verbo central na minha vida pessoal e profissional. Conduzo pessoas e empresas em processos de clareza, decisão e crescimento. Mas 2025 me ensinou algo essencial: antes de conduzir o outro, precisei aprender a me conduzir com mais gentileza. Caminhar ao meu lado, respeitar meus novos limites, ouvir meus anseios e acalmá-los com minha sensatez.

Houve medo. Medo legítimo. “A plenitude de saber que o coração tremeu de medo.” Reconhecer quem somos por inteiro nunca nos será confortável. É confronto direto e pontiagudo. Mas é também libertação.

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“E o que importa é não estar(mos) vencido(s)”

Entre “vitórias que escaparam dos dedos” e pessoas que ficaram pelo caminho, fui entendendo que nem tudo precisa ser explicado agora. Alguns sentidos se revelam depois, justo quando achávamos que não teríamos respostas. Outros, talvez nunca se esclareçam. E tudo bem. “Há uma trilha aqui, quase uma estrada. Uma avenida ali, mata fechada”. Não sei onde vai dar. Mas sei de onde parto. Eu sou o meu lugar”.

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Ouvi recentemente uma frase que fica ecoando em mim como um abraço possível nos dias difíceis: “Orgulhe-se de você. Você está tentando, mesmo não estando bem.” Me disseram que isso é maturidade emocional. Talvez seja apenas minha humanidade incentivando que me levante.

Ao encerrar este ano, desejo que cada pessoa que nos lê, consiga também fechar seus capítulos com honestidade. Que saibamos reconhecer nossos limites, honrar nossas dores, agradecer o que ficou e deixar ir o que já cumpriu seu papel. Que possamos abrir foco e fôlego para novos trechos da caminhada em 2026, com menos culpa, mais presença e escuta.

Sigo com um verso que virou meu grito interno contra a ansiedade, minha âncora nos dias turbulentos, meu lembrete mais honesto de sobrevivência: “E o que importa é não estar vencido.” – Secos & Molhados

Boas festas. Com escuta, coragem e foco no caminho, não no destino.

Vida longa ao som bom (em bom som) — Leollo Lanzone

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Leollo

Leollo Lanzone é o alter ego de Mauro Galasso, que é de verdade, mas não cabia numa persona só. Tem olhar objetivo e sensível, tem o hábito de montar playlists, adora dançar eletrônico, sabe cozinhar, falar de amizade e tem opinião sobre quaaase tudo.




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