
Sempre gosto de fazer um balanço do que fiz e no Conteúdo e Mais sobre o que escrevi ao longo do ano e podem acreditar eu consigo me lembrar de como escrevi, de como estava me sentindo esse dia, mas o principal sempre é: O que quero transmitir com o texto da semana.
Porque sempre tem uma mensagem em tudo eu escrevo, um pouco de mim e do que já vivi e gosto de imaginar o que as pessoas vão sentir ao ler algo que escrevi e podem ter certeza nunca escrevo por escrever, sempre tem uma mensagem especial que quero deixar para vocês.
Todo fim de ano tem algo de aeroporto.
É tempo de balanço, despedida, expectativa e silêncio entre um embarque e outro. Mesmo quem não fez grandes viagens sabe: atravessamos o ano como quem percorre um território desconhecido, com escolhas, desvios, pausas inesperadas e aprendizados que só fazem sentido quando olhamos para trás.
O ano que termina nos levou a muitos lugares — alguns geográficos, outros internos. E talvez a pergunta mais honesta, agora, não seja para onde fomos, mas quem nos tornamos ao longo do caminho.
As viagens que escolhemos dizem muito sobre nós
Ao observar os movimentos do turismo neste ano, ficou claro que as escolhas de destino revelam estados de espírito.
Houve quem buscasse o mar.
O som repetitivo das ondas, os dias mais leves, o corpo desacelerando. A praia foi, para muitos, um lugar de cura, respiro e reconstrução. Um pedido silencioso de descanso.
Outros escolheram a montanha.
O frio da manhã, o silêncio, a vista ampla. A montanha apareceu como refúgio para quem precisava de introspecção, distância do excesso e tempo para pensar.
Também houve quem se encantasse pelos destinos frios, pelas cidades históricas, pela contemplação. Quem buscou estética, cultura, caminhadas sem pressa e conversas longas. E quem preferiu o calor, a festa, a música alta, a celebração da vida pulsando.
Nenhuma escolha foi aleatória. Cada destino foi um espelho do que se precisava naquele momento.
O que o ano nos ensinou sobre viajar
Mais do que modismos, este ano revelou tendências profundas:
- Menos pressa, mais sentido
- Menos acúmulo, mais experiência
- Menos ostentação, mais conexão
- Mais interesse por cultura, território e histórias locais
Viajar deixou de ser apenas deslocamento. Tornou-se reconexão com o outro, com o lugar e consigo mesmo.
Aprendemos também que não é a distância que transforma, mas a presença. Uma viagem curta, bem vivida, pode ser mais marcante do que longos roteiros sem pausa.
Nem todo mundo viajou — e tudo bem
É importante dizer isso.
Nem todos puderam ou quiseram viajar este ano. E isso não significa estagnação. Houve viagens invisíveis: mudanças internas, decisões difíceis, encerramentos necessários, recomeços silenciosos.
Há trajetos que não rendem fotos, mas mudam completamente a paisagem interior. Essas também contam.
Réveillon: mais do que um lugar, um estado de espírito
Na reta final do ano, surge a pergunta clássica: onde passar o Réveillon?
Talvez ela possa ser reformulada: como atravessar a virada?
Não importa se será à beira-mar, na montanha, em uma cidade movimentada ou em casa. O que importa é com que intenção, com quem ao lado e em que estado de espírito.
O Réveillon não é apenas um destino. É um rito de passagem. Um momento de reconhecer o que ficou para trás e escolher, com delicadeza, o que queremos levar adiante.
Para o ano que começa
Que o próximo ano nos encontre mais atentos às nossas próprias escolhas. Que saibamos ouvir quando for hora de partir e quando for hora de ficar. Que possamos viajar mais para fora e para dentro com curiosidade, respeito e presença.
Que tenhamos coragem de mudar rotas quando necessário e sabedoria para apreciar o caminho, mesmo quando ele não sai como planejado.
Porque, no fim, a vida é a maior das viagens. E seguir em frente, com consciência e afeto, já é um grande destino.
Que venha o novo ano. Com novos mapas, novos olhares e boas travessias.
Um excelente ano novo para todos!
Grande abraço





