
Todos nós temos aquela viagem que ficou guardada no coração. Não importa se foi perto ou longe, de carro, avião, barco ou até a pé. Mas existe sempre aquela que, por algum motivo, marcou tanto que volta em forma de lembrança com cheiro, imagem, som… e sentimento.
A minha foi uma viagem de trem.
Eu ainda era criança quando minha família se mudou para Santos. A mudança em si já era uma enorme expectativa. Mas o que ficou mesmo foi a viagem de trem. Fecho os olhos e consigo reviver tudo como se fosse hoje: eu, sempre inquieta, explorando o trem de um vagão ao outro.
Meu pai, paciente, me acompanhava até o vagão restaurante para me distrair. Era o nosso momento. Nos sentávamos, e enquanto ele tomava um café, eu experimentava um chá ou qualquer outra bebida que me fizesse ficar ali mais um pouco. E ficava. Observava a paisagem passar pela janela como se fosse um filme, com cenas que iam mudando a cada curva dos trilhos.
Foi ali, sem saber, que nasceu minha paixão por viagens de trem.
Esse meio de transporte tem algo de mágico. Talvez porque ele nos faça desacelerar. A viagem deixa de ser apenas o deslocamento e passa a ser parte da experiência. A paisagem não some no horizonte em alta velocidade, ela se revela devagar, como quem conta uma história aos poucos.
E são muitas as histórias que os trilhos contam ao redor do mundo.
Na Europa, por exemplo, é possível cruzar países inteiros sobre trilhos. O Glacier Express, na Suíça, é um dos mais cênicos do mundo, cortando os Alpes com paisagens de tirar o fôlego. Na Itália, o Bernina Express conecta paisagens de montanha a vilarejos encantadores. Já o Transiberiano, na Rússia, é uma das rotas ferroviárias mais longas do mundo, ligando Moscou a Vladivostok — uma verdadeira imersão em paisagens, culturas e estações do ano.
E não é só fora do Brasil que as viagens de trem encantam.
Aqui também temos trajetos cheios de charme e história. O Trem da Serra do Mar Paranaense, entre Curitiba e Morretes, é um exemplo. Com seus túneis, pontes e a exuberância da Mata Atlântica, é um passeio que surpreende até os mais céticos. Tem ainda o Trem do Corcovado, no Rio de Janeiro, que leva os visitantes até o Cristo Redentor em uma viagem curta, mas cheia de simbolismo. E o clássico Trem da Vale, ligando Vitória (ES) a Belo Horizonte (MG), com 13 horas de percurso, oferece conforto, belas paisagens e uma conexão profunda com o interior do país.
Viajar de trem é, para mim, como revisitar aquela memória de infância. É encontrar um tempo mais humano, mais poético. É sentir o mundo passar diante dos olhos sem pressa, deixando espaço para os detalhes, para os silêncios, para os encontros.
E talvez seja por isso que as viagens de trem continuam encantando gerações. Elas não são apenas sobre chegar, mas sobre se permitir viver o caminho.
Se você ainda não fez uma viagem de trem, coloque na sua lista. Se já fez, sabe do que estou falando. E se tiver uma história como a minha, guarde com carinho — afinal, são essas lembranças que fazem da nossa vida um grande e lindo percurso.
E se você não tem uma viagem de trem para chamar de sua, vou deixar aqui sugestões de viagens de trem incríveis para inspirar a sua próxima aventura:
No Brasil:
- Trem da Serra do Mar (PR): De Curitiba a Morretes, passando por túneis, pontes e pela imensidão da Mata Atlântica. Ideal para um bate e volta com história e natureza.
- Trem do Corcovado (RJ): Um clássico carioca que leva ao Cristo Redentor com charme e vista panorâmica da cidade.
- Trem da Vale (MG–ES): Uma longa jornada de 13 horas ligando Vitória a Belo Horizonte, com paisagens de montanhas, rios e cidades do interior.
- Maria Fumaça (RS): Entre Bento Gonçalves e Carlos Barbosa, com degustação de vinhos, música ao vivo e o encanto da Serra Gaúcha.
Pelo mundo:
- Glacier Express (Suíça): Uma das rotas mais cênicas do planeta, passando por 91 túneis e 291 pontes nos Alpes suíços.
- Transiberiano (Rússia): A maior jornada ferroviária do mundo, com mais de 9 mil km de extensão.
- Jacobite Steam Train (Escócia): Famoso por aparecer em Harry Potter, leva os passageiros por paisagens místicas das Highlands.
- The Ghan (Austrália): De Darwin a Adelaide, atravessando desertos e áreas selvagens num verdadeiro mergulho na Austrália profunda.
E você?
Qual foi a sua viagem inesquecível?
Pode ter sido de trem, de ônibus, de avião ou até uma caminhada no bairro vizinho — o que importa é o que ficou no coração.
Compartilha comigo sua história! Quem sabe ela não aparece aqui na próxima coluna?
Um excelente final de semana a todos!
Grande abraço 😊





