Hoje em dia, as terapias são como dietas: todo mundo tem uma solução. Até aí, tudo bem. Como mencionei no primeiro post, o importante para mim nunca foi chegar à solução certa, mas sim à minha solução. Aquela que funciona para mim.
O problema é que, assim como nas dietas alimentares, os experts tentam nos enfiar essas terapias goela abaixo (trocadilho intencional), cada uma afirmando ser a fórmula definitiva para a saúde mental. “A minha é que funciona!”, grita o Dr. Fulano. “Não! É a minha!”, exclama a Dra. Ciclana.
Gente, cada ser humano é único e, por isso, apesar do pensamento científico insistir na “estandardização” generalizada—uma mania cuja origem provavelmente se encontra lá atrás, nos tempos da Revolução Industrial—para mim está bem claro que não existem soluções padronizadas, tipo tamanho único. Mas muitas terapias ficam competindo entre si para ver quem tem a solução, para ver quem tem a teoria correta.
Isto me faz lembrar o yoga. O grande mestre Krishnamacharya ensinava yoga de forma adaptada a cada aluno, ajustando posturas, sequências e técnicas conforme a condição física, idade e necessidades individuais. Mesmo assim, muitos de seus discípulos que levaram o yoga para o Ocidente acabaram sucumbindo à padronização e desenvolveram esses estilos one-size-fits-all, aplicando as mesmas práticas a todos os alunos. Resultado: muita gente que pratica essas sequências acaba indo além dos próprios limites físicos e se arrebenta toda. Isso sem contar o impacto emocional quando o corpo não consegue alcançar os ideais de alinhamento…
Para mim, o mesmo se aplica à psicoterapia. Por exemplo, a depressão, apesar de ser um distúrbio padronizado no manual de diagnóstico de doenças mentais, se manifesta de maneira única em cada pessoa. Em outras palavras: em geral, há uma “roupagem” que rotulamos como depressão, mas a forma como surge, o viés específico e as “preferências” da manifestação variam de indivíduo para indivíduo. Assim, uma pessoa responde à terapia X, enquanto outra se dá melhor com a terapia Y.
Depois de tantos anos vivenciando e estudando essas coisas, adquiri (pelo menos) uma noção de boa parte das abordagens psicológicas—ocidentais e orientais—e posso afirmar que a maioria delas tem o seu valor. Mas nenhuma delas é a solução definitiva. O que realmente funciona, pelo menos para mim, é uma combinação adaptada ao meu jeito de ser e às minhas predisposições. O conselho que fica, como dizia Bruce Lee, é: absorva o que é útil, descarte o que não é e acrescente o que é exclusivamente seu.





