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Afinal, por que gostamos de Avatar?




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Zoe Saldaña e Sam Worthington em Avatar: Fogo e Cinzas (2025)

Olá meus queridos leitores. Nesta semana, chega aos cinemas mais um capítulo da franquia Avatar, criada por James Cameron. E antes que alguém se irrite com o que vem a seguir, deixo claro desde já: não se trata de ódio gratuito, nem de amor cego. Trata-se apenas de tentar entender um fenômeno. Afinal, poucos filmes na história do cinema conseguiram o que Avatar conseguiu. Bilhões de dólares arrecadados. Filas enormes. Sessões lotadas. Pessoas voltando ao cinema mais de uma vez para “viver a experiência”. A pergunta é simples e incômoda ao mesmo tempo: por quê?

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Confesso que ainda não assisti ao filme novo. E talvez isso seja até bom. Dá uma certa distância emocional para analisar o que já vimos até aqui. Porque se tem uma coisa curiosa nessa franquia, é que quase todo mundo concorda com as críticas… e mesmo assim vai ao cinema.

Vamos começar pelo óbvio. O problema mais gritante de Avatar sempre foi o roteiro. As histórias são incrivelmente genéricas. Não é que elas sejam simples. Simples pode ser bom. O problema é que elas são previsíveis de um jeito quase matemático. Você entra na sala já sabendo exatamente quem vai trair, quem vai morrer, quem vai se redimir e como tudo vai terminar. Não há dúvida. Não há risco. Não há surpresa.

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Sigourney Weaver em Avatar (2009)

E isso não acontece só no primeiro filme. O segundo, Avatar: The Way of Water, repete a fórmula com ainda mais segurança. Nada desafia o espectador. Não existe aquela sensação deliciosa de ser enganado pela narrativa. Não há reviravolta, não há ambiguidade, não há conflito moral real. Tudo é preto no branco, ou melhor, azul no verde.

O resultado disso é curioso. Quando o filme acaba, você tem dificuldade de lembrar o que acabou de assistir. Três horas se passaram, mas não há cenas realmente marcantes no campo narrativo. Não há diálogos memoráveis. Não há decisões difíceis. É como uma refeição visualmente linda, mas sem tempero. Sacia na hora, mas não deixa saudade.

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E aí chegamos ao segundo problema. A duração. Longa. Muito longa. Longuíssima. Três horas para contar uma história que poderia ser resumida tranquilamente em uma hora e meia. No segundo filme, em especial, há momentos em que a narrativa simplesmente anda em círculos. Cenas belíssimas, sim. Importantes para a história, não exatamente.

Existe um limite entre contemplação e dispersão. Quando esse limite é ultrapassado, o espectador começa a pensar em coisas que não têm nada a ver com o filme. Como o horário. Ou a cadeira desconfortável. Ou aquela vontade insistente de ir ao banheiro. Um filme pode ser longo, desde que seja envolvente. Aqui, muitas vezes, ele é apenas longo.

Se a história não empolga, talvez os personagens salvem? Infelizmente, não. O elenco de Avatar sofre de um problema grave de personalidade. Ou melhor, da ausência dela. O herói é genérico. O vilão é genérico. A mocinha é genérica. Os filhos são versões levemente modificadas de arquétipos já vistos mil vezes.

Não há camadas. Não há contradições internas interessantes. Ninguém nos surpreende com atitudes inesperadas. São personagens que existem apenas para cumprir funções narrativas. Eles não parecem pessoas. Parecem peças de um tabuleiro.

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Sam Worthington em Avatar (2009)

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E então chegamos a um ponto delicado. Sam Worthington. É difícil falar disso sem soar cruel, mas a verdade é que sua atuação nunca ajudou muito a franquia. Sua expressividade é menor do que uma gaveta de meias. Suas emoções raramente convencem. Em um universo tão vibrante, ele parece deslocado, quase apático. Não é por acaso que sua carreira fora de Avatar nunca decolou como se esperava. Em um filme que exige conexão emocional, isso pesa.

Dito tudo isso, a pergunta permanece. Se os roteiros são fracos, os personagens são esquecíveis e os filmes são longos demais, por que Avatar continua sendo um sucesso gigantesco?

E é aqui que a conversa fica interessante.

Porque, por incrível que pareça, há muita coisa boa nesses filmes. Muita mesmo. E quase toda ela passa por um nome só: James Cameron.

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James Cameron

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Goste ou não dos temas que ele escolhe, é impossível negar o talento do homem. Ele simplesmente não sabe dirigir mal. Desde O Exterminador do Futuro, passando por Aliens, explodindo tudo com O Exterminador do Futuro 2 e emocionando o planeta inteiro com Titanic, Cameron construiu uma carreira praticamente sem erros graves.

Mesmo quando o roteiro é raso, a direção compensa. O ritmo interno das cenas funciona. A câmera sabe exatamente onde estar. A ação é clara. A emoção, mesmo que simples, é conduzida com eficiência. É impressionante como ele consegue extrair impacto emocional de uma história tão básica. Isso não é pouco. Isso é domínio absoluto da linguagem cinematográfica.

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Zoe Saldaña e Sam Worthington em Avatar (2009)

Outro ponto fortíssimo de Avatar é o universo que ele apresenta. Pandora não é apenas um cenário bonito. É um mundo pensado nos mínimos detalhes. Há culturas distintas. Idiomas próprios. Sistemas de crença. Relações espirituais com a natureza. Uma biologia que faz sentido dentro de suas próprias regras.

Mesmo que os personagens sejam rasos, o mundo não é. Existe prazer em observar aquele planeta funcionando. Em entender como aquelas criaturas se conectam. Em perceber que houve pesquisa, tempo e obsessão criativa ali. Cameron não criou apenas um pano de fundo. Ele criou um ecossistema narrativo.

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E quando a história falha em prender, o mundo segura o espectador. Você não está interessado no conflito em si, mas está interessado em estar ali. Em mergulhar naquele lugar. Em observar aquele ambiente. É quase um turismo interplanetário. Três horas de escapismo puro.

E então chegamos ao ponto definitivo. O espetáculo visual.

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Avatar não é apenas um filme. É uma experiência sensorial. A computação gráfica é absurda. As texturas, a iluminação, os movimentos, tudo parece vivo. Mesmo anos depois, os filmes continuam tecnicamente superiores a quase tudo que se vê por aí. É um lembrete constante de como o cinema pode ir além da realidade.

Esses filmes foram feitos para a tela grande. Para o som alto. Para o 3D bem usado. Para o impacto físico da imagem. Assistir Avatar em casa é possível. Mas não é a mesma coisa. Cameron entende isso como poucos. Ele sabe que o cinema não é apenas narrativa. É sensação.

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A música, o som ambiente, as cenas de ação, as paisagens, tudo conspira para criar um espetáculo que envolve o corpo, não apenas a mente. E talvez seja exatamente isso que explica o sucesso. Avatar não quer ser um filme denso. Ele não quer ser um estudo psicológico. Ele quer ser um evento.

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E eventos atraem multidões.

Em um mundo cansado, cheio de problemas reais, boletos e notícias ruins, talvez o público não queira pensar tanto. Talvez queira apenas sentar em uma sala escura e ser transportado para outro lugar. Um lugar bonito. Perigoso. Grandioso. Onde tudo é maior do que a vida cotidiana.

James Cameron parece entender isso profundamente. Ele não subestima o público, mas também não exige demais. Ele entrega um espetáculo honesto, tecnicamente impecável e emocionalmente acessível. Nem todo filme precisa ser um quebra-cabeça. Às vezes, tudo o que queremos é um deslumbre.

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Trinity Jo-Li Bliss em Avatar: O Caminho da Água (2022)

E talvez seja por isso que Avatar continue lotando salas e quebrando recordes. Não porque seja genial no papel, mas porque é extraordinário na experiência.

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Agora eu quero saber de você. Você ama ou odeia Avatar? Ou está naquele meio-termo desconfortável de quem reclama, mas compra ingresso mesmo assim? Deixe seu comentário. Ele enriquece a discussão.

E se você curtiu o texto, não esqueça de curtir também. Isso ajuda muito o colunista e faz toda a diferença.

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Até a próxima.

Ricardo

Olá. Meu nome é Ricardo Reis, empresário, ex-professor e (ainda) entusiasta de cinema.




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