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10 Clássicos do Cinema que Abordaram a LGBTQIA+ Antes do Seu Tempo



LGBTQIA+

Olá, meus leitores conteudistas. Hoje, vamos abrir as cortinas vermelhas e polidas da velha Hollywood, deixar a fumaça dos cigarros noir dissipar e adentrar um mundo onde o amor e o desejo muitas vezes tiveram que se esconder por trás de closes dramáticos, figurinos ousados e silêncios eloquentes. Na coluna de hoje, trago uma seleção de dez filmes clássicos que abordam a temática LGBTQIA+, seja de forma clara ou velada. Cada obra aqui é uma relíquia do cinema que merece revisitação e reflexão, não apenas por sua arte, mas por tudo que insinuou (e ousou dizer) em tempos de censura, tabus e repressão moral.

1. Juventude Transviada (Rebel Without a Cause, 1955)

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James Dean, Natalie Wood, e Sal Mineo em Juventude Transviada (1955)

Jim Stark, interpretado pelo icônico James Dean, é o adolescente revoltado por excelência. Mas é no personagem de Sal Mineo, o sensível Plato, que encontramos uma ternura suspeitamente carinhosa por Jim. A relação entre eles carrega uma carga homoafetiva intensa, nunca nomeada, mas claramente perceptível. Em pleno anos 50, com o maccarthismo ainda no ar, o filme consegue contornar o Código Hays com maestria, criando uma tensão emocional que fala muito sobre desejo e isolamento.

2. Infâmia (The Children’s Hour, 1961)

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Audrey Hepburn e Shirley MacLaine interpretam duas professoras que têm suas vidas viradas do avesso após uma aluna espalhar o boato de que elas mantêm um relacionamento amoroso. Baseado na peça de Lillian Hellman, o filme é um drama poderoso sobre a violência do preconceito e as conseqüências do moralismo. Ainda que a temática lésbica seja tratada com extremo cuidado (quase cautela), seu impacto é inegável.

3. Festim Diabólico (Rope, 1948)

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John Dall eFarley Granger em Festim Diabólico (1948)

Hitchcock, sempre ele. “Rope” é uma aula de suspense e subtexto. Baseado no caso real de Leopold e Loeb, dois jovens que cometem um assassinato apenas pela “emoção intelectual”, o filme sugere uma relação homoafetiva entre os protagonistas, que não é dita, mas está nas entrelinhas, nos olhares, na dependência emocional. A escolha de fazer o filme parecer um plano-sequência único só aumenta a claustrofobia e a intensidade dessa relação ambígua.

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4. Rainha Christina (Queen Christina, 1933)

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Greta Garbo no auge, andrógina, decidida, encarnando uma monarca sueca que desafia os papéis de gênero e rejeita convenções românticas tradicionais. Em um dos momentos mais ousados do cinema pré-Código Hays, Christina beija outra mulher. A personagem prefere a solidão da liberdade ao casamento forçado, e sua imagem virou ícone queer, especialmente por como a narrativa celebra sua independência e ambiguidade.

5. Gilda (1946)

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Rita Hayworth em Gilda (1946)

Rita Hayworth em sua performance mais memorável, com luvas tiradas em câmera lenta e um olhar que desafia. Mas o que realmente chama atenção é a relação entre Johnny (Glenn Ford) e Ballin, o marido de Gilda. A rivalidade e obsessão entre os dois homens por ela tem um subtexto homoerótico evidente. É como se Gilda fosse apenas o catalisador de uma tensão que não ousa dizer seu nome.

6. De Repente, no Último Verão (Suddenly, Last Summer, 1959)

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Baseado em Tennessee Williams, este drama gótico tropical traz Elizabeth Taylor tentando desvendar os eventos que levaram à morte de seu primo. A personagem de Katharine Hepburn quer esconder a verdadeira natureza do filho falecido, sugerindo temas de homossexualidade, repressão sexual e moralismo destrutivo. O filme é tenso, melodramático e repleto de simbolismos sombrios.

7.As Lágrimas Amargas de Petra von Kant (Bitter Tears of Petra von Kant, 1972)

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Margit Carstensen e Katrin Schaake em As Lágrimas Amargas de Petra von Kant (1972)

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Fassbinder mergulha em um drama claustrofóbico entre quatro paredes. Petra, uma estilista autoritária, se apaixona por uma jovem modelo e entra em um ciclo de dominação, paixão e rejeição. O filme é explicitamente lésbico e profundamente teatral, explorando relações de poder, narcisismo e carência afetiva. Uma obra de câmara e espelhos quebrados.

8.Meu Passado me Condena (Victim, 1961)

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Dirk Bogarde in Meu Passado me Condena (1961)

Este drama britânico foi revolucionário ao tratar da homossexualidade masculina como uma questão de justiça. O personagem de Dirk Bogarde é um advogado que luta para salvar um amigo de uma rede de chantagem, colocando em risco sua própria reputação. O filme desafiou as leis da época e foi uma das primeiras produções a usar a palavra “homossexual” no cinema britânico de forma digna e sem escândalo.

9. Morte em Veneza (Death in Venice, 1971)

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Björn Andrésen e Dirk Bogarde em Morte em Veneza (1971)

Uma ode melancólica ao desejo e à decadência. Visconti adapta Thomas Mann com requinte visual, retratando um compositor envelhecido fascinado pela beleza idealizada de um adolescente. O erotismo é todo estético, sutil e perturbador. Um filme sobre o amor platônico, o tempo que passa e a busca inalcançável pela perfeição.

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10. A Bela da Tarde (Belle de Jour, 1967)

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Catherine Deneuve in A Bela da Tarde (1967)

Buñuel nunca foi adepto de limites claros, e aqui ele retrata a sexualidade reprimida de uma jovem esposa burguesa que passa as tardes como prostituta. Embora não trate diretamente da temática LGBTQIA+, o filme é uma celebração da fluidez do desejo, da identidade escondida sob a fachada social. Buñuel sempre flertou com a quebra das normas e neste filme isso se expressa de forma quase sonhadora.

A beleza de revisitar esses clássicos é perceber como o cinema sempre encontrou maneiras de falar sobre o indizível, ainda que pelas bordas, com um olhar enviesado, um silêncio sugestivo, ou uma música que diz mais que o diálogo. Esses filmes nos mostram que a história LGBTQIA+ também está nos rolos antigos da sétima arte, mesmo quando era obrigada a se disfarçar.

Se você gostou deste texto, comente aqui embaixo: qual desses filmes você já viu? Algum outro clássico merece entrar nessa lista? E claro, curta o artigo. Isso é muito importante para os colunistas. Até a próxima.

Ricardo

Olá. Meu nome é Ricardo Reis, empresário, ex-professor e (ainda) entusiasta de cinema.




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