
Existe um momento curioso na trajetória de todo empreendedor.
Ele não chega com aviso, não vem acompanhado de um grande acontecimento, nem costuma ser resultado de uma decisão planejada. Na maioria das vezes, ele aparece de forma sutil, quase silenciosa.
E, quando você percebe, algo mudou.
No meu caso, esse momento começou de um jeito bastante específico. E, confesso, até um pouco incômodo no início.
Eu fiquei careca.
Pode parecer um detalhe pequeno, quase irrelevante dentro de uma discussão sobre marca pessoal. Mas, meu caro empreendedor, às vezes são justamente esses detalhes que acabam desencadeando reflexões maiores.
Admito que isso nunca me incomodou. Até porque eu não fui ficando careca. Eu fiquei de uma vez. Uma vez eu raspei o cabelo, na zero, porque a moça que estava cortando errou o corte. E aí não tinha jeito. Mas não é que eu gostei? Fora a praticidade. Nunca mais eu comprei um pente na vida. Libertador. Mas esse texto não é para falar sobre cabelo.
É sobre identidade.
É sobre a forma como você se vê e, principalmente, sobre como passa a ser visto pelos outros.
Empreendedor, talvez você nunca tenha passado por essa situação específica, mas certamente já viveu momentos em que percebeu mudanças na forma como se apresenta ao mundo. Pode ter sido uma mudança de estilo, de postura, de fase de vida ou até de prioridades.
Esses momentos têm algo em comum. Eles nos obrigam a olhar para nós mesmos com um pouco mais de atenção.
No meu caso, eu nunca tentei contornar. Não penteie de lado, pra ver se ninguém via (todo mundo vê, Geraldo Alckmin). Não comecei a usar boné. Nada disso. Apenas gostei e deixei.
Agora eu estou em uma dúvida: posso fazer o tratamento e ter cabelos novamente…ooooou….posso transformar essa característica em parte da minha identidade? E melhor ainda, da minha Identidade Visual.
Pode parecer uma virada simples, mas ela carrega uma mudança de perspectiva importante.
Porque, no fundo, não se trata apenas de aceitar uma característica física. Trata-se de decidir como você quer se posicionar diante do mundo.
E isso, empreendedor, tem tudo a ver com marca pessoal.
Até aquele momento, eu nunca tinha pensado seriamente em construir uma marca própria. Minha energia sempre esteve concentrada nos projetos em que estava envolvido. Cada iniciativa tinha sua identidade, seu posicionamento, sua comunicação.
E isso parecia suficiente.
Mas, ao mesmo tempo, havia algo que não se encaixava completamente em nenhum desses espaços.
Ideias que não pertenciam a um projeto específico. Reflexões que iam além do escopo das empresas. Observações sobre mercado, comportamento, criatividade e estratégia que simplesmente não encontravam um lugar claro para existir.
Elas eram, essencialmente, minhas.
E foi nesse ponto que comecei a perceber uma lacuna.
Empreendedor, talvez você já tenha sentido algo parecido.
A sensação de que existem pensamentos, aprendizados e experiências que não cabem dentro da comunicação da sua empresa. Não porque sejam irrelevantes, mas porque não fazem parte do foco daquele negócio.
Uma empresa precisa ser clara, objetiva, consistente. Ela não pode abraçar tudo ao mesmo tempo.
Mas uma pessoa pode.
Foi aí que a ideia de uma marca pessoal começou a fazer sentido de verdade.
Não como um exercício de marketing, não como uma estratégia para ganhar visibilidade a qualquer custo, mas como uma forma de criar um espaço próprio.
Um território onde essas ideias pudessem existir.
Um lugar onde eu pudesse organizar pensamentos, compartilhar reflexões e construir uma identidade que não estivesse vinculada diretamente a um único projeto.
E, curiosamente, tudo isso começou com algo tão simples quanto olhar no espelho.
A decisão de usar a pouca telha como Branding pessoal acabou se tornando simbólica.
Porque, ao assumir essa característica, eu estava, de certa forma, assumindo também uma postura mais ampla. Estava deixando de lado a tentativa de me encaixar em uma imagem genérica e começando a construir uma identidade mais consciente.
E identidade consciente é a base de qualquer marca forte.
Meu caro empreendedor, existe um conceito interessante dentro do branding que fala sobre transformar vulnerabilidades em ativos.
Aquilo que, em um primeiro momento, parece um ponto fraco pode, dependendo da forma como é trabalhado, se tornar um elemento distintivo.
Não estou dizendo que toda característica precisa ser transformada em símbolo. Mas, em muitos casos, aquilo que nos torna diferentes pode ser justamente o que nos torna reconhecíveis.
E reconhecimento é um dos pilares de qualquer marca.
A partir desse momento, comecei a observar com mais atenção como algumas pessoas constroem suas identidades públicas. Como certos elementos visuais, comportamentais ou até mesmo conceituais acabam se tornando marcas registradas.
E percebi algo interessante.
As marcas pessoais mais fortes costumam ser simples.
Elas não dependem de grandes explicações. Não precisam de discursos complexos para serem entendidas. Elas se apoiam em elementos claros, consistentes e facilmente reconhecíveis.
Isso pode estar na forma de se vestir, na maneira de se comunicar, no tipo de conteúdo que a pessoa produz ou até em características físicas que são assumidas de forma consciente.
No meu caso, a combinação de uma silhueta frontal, a ausência de cabelo e os óculos começou a fazer sentido como um possível caminho visual.
Algo simples, direto, reconhecível.
Mas, mais importante do que o símbolo em si, era o que ele representava.
Ele representava uma decisão.
A decisão de construir uma marca própria.
A decisão de criar um espaço onde minhas ideias pudessem existir sem a necessidade de se encaixar em estruturas pré-definidas.
A decisão de assumir minha própria narrativa.
Empreendedor, esse momento pode acontecer de formas diferentes para cada pessoa.
Para alguns, ele surge a partir de uma mudança de carreira. Para outros, aparece quando um projeto chega ao fim. Em alguns casos, nasce da vontade de compartilhar conhecimento. Em outros, da necessidade de se posicionar em um mercado cada vez mais competitivo.
Não existe um único gatilho.
Mas, quando esse momento chega, ele costuma trazer uma pergunta importante.
Qual é o seu espaço?
Onde estão as suas ideias?
Se você dependesse apenas das suas empresas para se comunicar com o mundo, o que ficaria de fora?
Essas perguntas não precisam de respostas imediatas. Mas elas ajudam a abrir um caminho.
Porque, no fim das contas, construir uma marca pessoal começa com um movimento simples.
Prestar atenção em si mesmo.
Entender o que faz sentido comunicar. Perceber quais são as ideias que se repetem, quais temas despertam mais interesse, quais reflexões você gostaria de dividir com outras pessoas.
A partir daí, o processo começa a ganhar forma.
Nos próximos textos, vamos entrar um pouco mais na parte prática dessa construção. Vamos falar sobre como transformar essas ideias em um conceito, como estruturar uma identidade visual e como dar consistência a essa marca ao longo do tempo.
Mas, antes de avançarmos, quero te convidar para uma reflexão.
Empreendedor, em que momento da sua trajetória você percebeu que existia algo em você que não cabia dentro dos seus negócios?
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