
Meu caro empreendedor, talvez você tenha lido, dias atrás, meu texto sobre a importância de ter um roteiro no Instagram. Se não leu, porr@, vai lá e leia! Não um roteiro no sentido literal de “o que postar na segunda, o que postar na sexta”, mas um roteiro de sentido. Um fio condutor que conte algo, que crie uma ligação emocional com quem está do outro lado da tela. A ideia central era simples: o Instagram da sua marcaa não deve ser um repositório de fotos de produtos, mas um espaço de narrativa, um palco para a história que a sua marca quer contar.
Mas quanto mais eu pensava nisso, mais claro ficava que o problema é ainda mais profundo. Não é o Instagram que precisa de roteiro. É a sua empresa que precisa de uma história.
Parece óbvio, mas não é. A maioria dos empreendedores começa um negócio pensando em o que vai vender e como vai vender, mas raramente se pergunta por que esse negócio existe, e, principalmente, por que alguém deveria se importar. E é aí que mora a diferença entre uma empresa que apenas oferece produtos e uma marca que conquista corações.
Empreender é, em essência, criar uma história que valha a pena ser contada. Só que, ao longo do caminho, entre planilhas, boletos e orçamentos, muitos se esquecem disso. A empresa vira uma fábrica de entregas, não de sentido. O discurso fica técnico, impessoal, funcional demais. E o resultado é que, quando chega a hora de se comunicar, não há o que dizer. O Instagram vira um catálogo, o site vira uma lista de serviços, e o público… passa reto.
A verdade é que ninguém acorda de manhã querendo “consumir conteúdo institucional”. As pessoas se conectam com histórias. Querem entender de onde veio a ideia, o que move a marca, quem está por trás dela. Querem saber se aquela empresa acredita em algo além do lucro, se tem um olhar diferente sobre o mundo.
E, veja bem, isso não tem nada a ver com romantismo de marketing. É pura estratégia de posicionamento. Em um mercado saturado, onde todo mundo oferece algo parecido, a única coisa que realmente diferencia é a narrativa. É ela que dá textura, tom, emoção e propósito ao seu negócio.
Pense nas marcas que você admira. Nenhuma delas te conquistou apenas pelo produto. Elas te envolveram por uma história, por uma sensação de pertencimento. Seja uma cafeteria que fala sobre tempo e afeto, uma marca de roupa que exalta o estilo de vida, ou uma empresa de tecnologia que promete mudar o mundo. Todas elas têm um ponto em comum: um enredo que conecta o propósito da marca ao desejo do público.
E esse enredo não nasce no Instagram, nem no briefing do social media. Ele nasce dentro da cultura da empresa. É o DNA da marca. É o “por que” que guia as decisões, o “como” que define o comportamento e o “o quê” que se manifesta nos produtos e serviços.
O erro é inverter a lógica. Muita gente tenta começar a narrativa pelo post. “Vamos humanizar o Instagram.” “Vamos mostrar os bastidores.” “Vamos postar frases de inspiração.” Só que se a empresa não tem uma história real, nada disso soa verdadeiro. É maquiagem. E o público percebe.
Contar uma boa história de marca é um exercício de autoconhecimento. É olhar para dentro e se perguntar: o que nos move? O que queremos mudar no mundo ou, pelo menos, no pequeno universo dos nossos clientes? Por que fazemos o que fazemos, do jeito que fazemos? O que as pessoas sentem quando têm contato com nossa marca?
Essas perguntas são poderosas porque, quando bem respondidas, dão coerência a tudo. Do tom de voz aos posts, do atendimento à embalagem. Uma empresa com narrativa sólida não precisa “inventar conteúdo”, porque tudo o que ela faz já é conteúdo. A própria experiência que entrega já conta uma história.
E aqui entra um ponto importante: toda boa história tem conflito. Marcas interessantes não nascem de trajetórias perfeitas. Elas nascem de desafios, de aprendizados, de causas reais. É isso que cria identificação. Mostrar vulnerabilidade, falar sobre bastidores, revelar as pessoas por trás do CNPJ. Tudo isso torna a marca mais humana, mais tangível.
Meu caro empreendedor, seu público não quer ver apenas o resultado final. Ele quer entender o processo. Quer saber que você também enfrentou inseguranças, que já errou, que está tentando fazer algo com significado. Essa honestidade é o que gera conexão. É o que transforma audiência em comunidade, e comunidade em clientes fiéis.
E não pense que isso vale apenas para empresas “cool” ou de setores criativos. Toda marca pode, e deve, ter uma narrativa. Um escritório de contabilidade pode falar sobre liberdade e tranquilidade para o empreendedor focar no que ama. Uma empresa de limpeza pode falar sobre conforto e bem-estar. Uma loja de ferramentas pode falar sobre realização, sobre o prazer de construir algo com as próprias mãos. O que muda é o ângulo, não a essência.
O que importa é entender que o produto é apenas o meio. O fim é a transformação que ele proporciona. A sua marca é o elo entre o que você faz e o que o cliente sente.
O Instagram, portanto, é só a ponta do iceberg. Ele não cria a narrativa, ele a expressa. É o palco onde o enredo ganha voz, imagem, cor e ritmo. Mas o roteiro precisa vir de dentro. Se a sua empresa ainda não tem um, é hora de escrever.
E escrever aqui não significa inventar uma história bonita, mas descobrir a verdadeira, aquela que talvez já esteja acontecendo, mas você ainda não percebeu.
Comece observando o dia a dia da sua empresa: como vocês falam internamente? Que tipo de clientes se aproximam naturalmente? Que elogios se repetem? Que problemas vocês realmente gostam de resolver? Que momento te fez pensar “é por isso que eu faço o que faço”? Essas pistas revelam o núcleo narrativo do seu negócio.
Depois, transforme isso em linguagem. Dê forma à sua história. Crie uma voz que seja coerente com a sua essência. E leve essa voz para todos os pontos de contato: redes sociais, site, atendimento, campanhas, eventos. A narrativa precisa ser viva, presente em cada detalhe.
Quando você faz isso, o conteúdo deixa de ser obrigação e passa a ser consequência. As pessoas percebem quando há verdade por trás do discurso. E quando isso acontece, você não precisa disputar atenção com truques de algoritmo: próprio público passa a querer ouvir o que a sua marca tem a dizer.
Meu caro empreendedor, vivemos em um tempo em que o público busca mais do que produtos. Busca sentido. Busca pertencimento. Busca marcas que o façam sentir algo, nem que seja apenas um “essa empresa me entende”. Se a sua marca não tem uma história, alguém com uma história melhor vai ocupar o seu lugar.
Por isso, antes de pensar no próximo post, pense no enredo da sua empresa. Porque, no fim das contas, o Instagram não precisa de roteiro. Quem precisa de roteiro é a marca.
E talvez, só talvez, seja hora de você escrever o seu.
Se esse texto te fez pensar sobre a história da sua empresa, deixe sua opinião nos comentários. Quero muito saber o que você pensa sobre isso. E, se gostou da leitura, curte aí: isso ajuda demais o colunista a continuar produzindo reflexões como esta.





