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Empreendedor: sempre faça contrato



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Meu caro empreendedor, este espaço não existe apenas para falar de conceitos bonitos, teorias de marketing ou tendências de mercado. Ele também serve para algo igualmente importante: trazer casos reais, daqueles que acontecem no dia a dia, sem filtro, sem maquiagem, exatamente para ajudar você a se mover melhor no mundo do marketing, da publicidade e dos negócios em geral.

O episódio que vou relatar aqui é real. Não é um “conto moral”. Não é exagero retórico. É o tipo de situação que acontece todos os dias com prestadores de serviço, agências, designers, desenvolvedores, consultores e profissionais criativos em geral. E acontece, quase sempre, com quem ainda acredita que boa-fé é um ativo suficiente para sustentar uma relação comercial.

Vamos aos fatos.

Há algum tempo, uma pessoa me procurou pedindo um projeto de identidade visual. Disse que estava recomeçando, reorganizando a vida profissional, repensando o negócio. Comentou que não tinha condições de pagar os valores praticados pela agência, perguntou se havia possibilidade de desconto, parcelamento, alguma alternativa. A conversa seguiu nesse tom.

E aqui faço uma pausa. A maioria dos empreendedores já esteve dos dois lados da mesa. Quem presta serviços sabe como é ouvir esse tipo de pedido. Quem contrata, também. O problema não está no pedido em si. Está no que vem depois.

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O valor normal do projeto era seis mil reais. Diante da história, resolvi ajudar. Reduzi o valor para dois mil e cem reais. Um desconto significativo, que não apenas barateava o serviço, mas também exigia do prestador um esforço de equilíbrio financeiro e emocional. A proposta foi aceita verbalmente, e o trabalho começou.

Não foi um trabalho superficial. Houve três reuniões de briefing. Três. Uma delas presencial. Conversamos sobre posicionamento, público, propósito, mercado. Perguntei mais de uma vez se havia necessidade de uma abordagem mais feminina, se a marca deveria conversar prioritariamente com mulheres. A resposta foi clara: não.

O projeto seguiu. Mais de vinte dias de trabalho. Desenvolvimento da identidade visual, escolhas conceituais, construção estética, e ainda a inclusão de elementos de branding que ajudariam aquela empresa a se posicionar melhor no mercado. Entreguei algo sólido, coerente com o briefing, pensado para durar.

Quando apresentei o projeto, veio o pedido de ajustes. Até aí, tudo normal. Alterações fazem parte do processo criativo. O problema começou quando a justificativa apareceu: o logo não estava feminino o suficiente. Somado a isso, a cliente comentou que estava revendo seu momento pessoal.

Aqui entra um ponto importante, meu caro empreendedor. Marca não é terapia. Marca não é espelho emocional do dono. Marca representa a empresa, o mercado, o posicionamento. Mudanças pessoais não deveriam redefinir um projeto inteiro, ainda mais quando o briefing foi claro desde o início.

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Mesmo assim, fui flexível. Sugeri uma nova reunião para alinhamento. Hoje, olhando para trás, reconheço: esse foi o primeiro erro. Briefing fechado não deveria ser reaberto porque alguém mudou de humor ou de fase da vida.

Depois disso, silêncio. O projeto ficou parado. O tempo passou. Dois meses depois, entrei em contato perguntando se ela pretendia retomar. A resposta veio: não havia mais interesse. Ela estava “revendo os rumos do negócio”.

Entendi. Projetos podem ser encerrados. Negócios mudam. Faz parte. Então comuniquei que, sendo assim, o projeto estava finalizado e que era o momento de efetuar o pagamento pelo trabalho realizado.

E foi aí que veio a resposta que motivou este artigo.

De forma educada, fria e extremamente calculada, ela afirmou que não reconhecia a existência de qualquer débito. Segundo ela, não houve contratação formal, não houve aceite de proposta, não houve assinatura de contrato ou autorização para execução. Disse que as conversas eram apenas tratativas iniciais e que, quando um valor estimado foi mencionado, ela teria decidido não prosseguir.

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Finalizou pedindo, caso houvesse discordância, o envio do contrato assinado, da proposta formal aceita ou de qualquer documento que comprovasse o aceite expresso.

Percebe o movimento, empreendedor?

Três reuniões. Um projeto entregue. Pedido de alteração. Dois meses de silêncio. E, ao final, a tentativa de apagar a história inteira com uma frase simples: “não houve contratação”.

Aqui está a lição central deste texto.

Boa-fé não é garantia de nada quando a outra parte opera na lógica da conveniência. Gentileza não substitui estrutura. Empatia não ocupa o lugar de contrato. E ajudar alguém sem estabelecer limites claros é, muitas vezes, um convite para ser desrespeitado.

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Contrato não existe porque as pessoas são más. Contrato existe porque as pessoas mudam de ideia. Porque prioridades mudam. Porque o “estamos juntos” de hoje pode virar “nunca combinei isso” amanhã.

E antes que alguém pense que isso só acontece com iniciantes, deixo um alerta: esse tipo de situação não escolhe nível de experiência. Escolhe brechas. Onde não há contrato, há espaço para interpretação. Onde há interpretação, alguém perde. Quase sempre, o prestador.

No mundo real, não basta trabalhar bem. É preciso se proteger. Não basta ser ético. É preciso ser profissional. Não basta confiar. É preciso formalizar.

Se você é empreendedor e presta serviços, entenda isso de uma vez: contrato não é desconfiança. É respeito mútuo registrado. É o combinado que não sai caro. É o que separa um negócio saudável de um desgaste desnecessário.

E se você é empreendedor e contrata serviços, saiba também: profissionais sérios trabalham com contrato porque valorizam o próprio tempo, o seu investimento e a relação.

Este texto não é sobre ressentimento. É sobre aprendizado. É sobre maturidade. É sobre entender que o mercado não recompensa ingenuidade, mas também não precisa transformar ninguém em alguém amargo. Basta estruturar.

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Marcio Cabral Jr.

Márcio Cabral é cineasta, designer gráfico, publicitário e empresário. É diretor de criação na IAP Propaganda, e um dos sócios fundadores do 40EMAIS.




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