Sim, meu bom empreendedor: talvez os seus gostos pessoais, na hora em que estamos construindo a sua marca, não deva ser levado em conta. Eu sei que parece muito arrogante, mas afinal, não é para isso que você contratou uma agência?
Semana passada, na verdade retrasada (sim, estou negligenciando esse espaço. Mas é por uma boa causa), eu escrevi sobre o pior tipo de cliente. Se você não leu, corre lá para ler, e aprender como NÃO agir com sua agência ou seu designer. Pois bem, hoje, meio que vamos dar continuidade ao nosso guia de relacionamento de agência e cliente.
Existe um fator muito interessante, ao mesmo tempo delicado, na relação de um empreendedor que contrata uma agência: ele não nos deixa trabalhar em paz. Sim. Vocês não param de meter o bedelho no nosso trabalho. E pior, vocês não têm ideia do que estão fazendo.
É nesse momento que entra o tal do gosto pessoal. Você cria um layout para um site, e automaticamente o cliente aprova, mas eu quero alterar o menu. Ora, meu filho. Se eu desenhei o menu dessa maneira, é porque eu estudei e vi que as suas informações são muitas, e não vai ficar legal pro usuário ver dessa forma. Ah, mas Márcio. Eu gosto mais assim. Fooood….Vamos manter a educação. Mas é nessa hora que um bom profissional vai pedir, com toda a elegância, com toda a vênia, que vossa excelência peguei aquilo que você gosta e…guarde.
E é algo que eu realmente não entendo. Quando você vai ao médico, meu inconveniente empreendedor, e ele diz que você tem que tomar um remédio para tosse, você discorda? Você sugere tomar um remédio para o fígado, porque você gosta mais? Claro que não. Porque o médico estudou por anos para saber exatamente qual remédio é ideal para o que você está sentindo. Mas com o designer, ah não, aí você quer discutir. Aí você quer mudar a cor. Aí você acha que sabe que tem que adicionar mais elementos “na logo”. Porr@, vai pro inferno.

Deixe-me explicar uma coisa: do mesmo jeito que o médico ou o engenheiro, nós, designers, desenvolvedores, publicitários, também estudamos por muitos anos. Os melhores continuam estudando e se aprimorando, de forma que, se na sua agência eles falarem que o melhor design para a sua marca é tal, você aceita. É por isso que nós temos reuniões de briefing: para entender o que a sua empresa faz, quem é seu público-alvo, sua faixa de preço, enfim, e a partir daí, desenvolver a marca de acordo com esse perfil. Se eu quisesse saber seu gosto pessoal, eu ia na sua casa.
A mesma coisa vale para uma campanha. Se eu estou falando que você precisa de mais verba para campanha, e não passar o dia postando fotos e stories na rede social, é porque eu sei que um está certo e o outro está…errado. Custa acreditar em mim? Cacete, o seu sucesso é o meu sucesso. Nada me deixa mais feliz do que a possibilidade de poder te cobrar mais pelo meu trabalho. Mas isso só vem quando eu te trago resultado.
Por isso, não custa reforçar: assim como você confia no seu proctologista, que vai enfiar o dedo no seu rabo para o seu próprio bem, você pode confiar na sua agência. Não é porque você não gosta da cor “da logo” (sim, isso é uma alfinetada), ou a achou muito simples, que a sua marca não vai performar. Pode confiar. E nós nem vamos enfiar o dedo no seu rabo. Prometo.
O resultado dessa insistência em fazer valer o seu gosto, é que nós vamos desistir de você. Ao invés de lutar pelo seu sucesso, nós vamos simplesmente fazer o que você quer, sabendo que não vai dar em nada. Ninguém vai ficar dando murro em ponta de faca o tempo todo. Uma hora cansa. No final, você não vai performar, porque você não sabe o que está fazendo, e nós vamos empurrar o trabalho que fazemos pra você com a barriga, protocolarmente, sem tesão. Afinal, tudo que a gente planejou meticulosamente, você jogou no lixo. Então a gente entrega só o que você quer e pega o seu dinheiro. Essa, com certeza, é a pior forma de trabalhar. Eu não quero isso pra minha vida. Eu gosto de trabalhos que dão motivação, que eu passo um tempão pensando, vendo o melhor ângulo, as melhores ideias. Isso me motiva.
Então, para fechar, vamos combinar uma coisa: na próxima vez que você sentir que um trabalho não está bem do seu gosto, vai pra casa e pinta uma parede. Porque o que tem que estar a seu gosto não é o trabalho de marketing da sua empresa, mas decoração da sua casa.
Até semana que vem.





