
Continuando o tópico que comecei semana passada, sobre para que serve uma agência de publicidade, agora vamos entrar num assunto mais tenso: será que o cliente sempre tem razão?
Eu digo logo de cara que não. Deveria subir os créditos agora, mas vamos continuar. Veja, não estou dizendo que o cliente seja completamente ignorante, mas se ele dominasse a matéria na qual você trabalha, ele não precisaria de você, não é mesmo?
Eu lembro de um caso, já bem antigo, aqui da agência, em que nós trabalhávamos na identidade de uma empresa que transformava jaca em vários tipos de materiais: da casca, se fazia couro. Da carne da jaca, se fazia carnes veganas. Enfim, se aproveitava tudo da jaca.
Sendo a jaca o principal elemento de trabalho dessa empresa, a gente foi pelo óbvio: vamos fazer a identidade visual a partir das jaca. Admito que não foi dos meus melhores trabalhos. Hoje eu abordaria a questão de forma diferente. Mas por que, Marcinho, não ficou bom? Simples: nós ouvimos demais o que o cliente tinha a dizer.
Em princípio, olá cliente queria uma identidade completamente vintage, como aqueles rótulos dos anos 1900-1920, com todos aqueles elementos. Vou ver se coloco um exemplo abaixo desse parágrafo.
Enfim, nós seguimos o caminho proposto pela cliente, sem concordar, mas fizemos. Esteticamente, ficou muito agradável o resultado. Modéstia à parte, a IAP Propaganda sempre faz tudo da melhor forma, mesmo errando, nós acertamos. Mas voltando: o problema é que havia um casamento estético completo entre a proposta da empresa e a linguagem adotada. Ora, por se tratar de uma empresa absolutamente moderna, que tratava de aproveitamento de recursos naturais, que certamente visava um público igualmente moderno, pra frente, nós tínhamos que ter seguido uma linha moderna, colorida, vibrante. Que chamasse a atenção na prateleira. Quem apontou esse problema de comunicação foi o grande Antônio Alves, na época, representante comercial da empresa que estava nascendo. Aliás, tem curso dele aqui no Conteúdo e Mais. Quem quiser empreender, DEVE assistir ao curso dele, foi o cara que me ensinou a pensar como empreendedor. Clique aqui para saber mais.
Voltando…
A mesma cliente, no mesmo projeto, também queria, por preferência pessoal, que a cor da empresa fosse o rosa, e não o verde. Ora, porr#! Aí nós batemos o pé. Não tem o enorme sentido, uma empresa exclusivamente sobre jaca, trazer a cor rosa. A graça desse causo é que a cliente foi atrás e trouxe uma espécie de jaca que, pasmem, é cor-de-rosa. Chega a ser uma sacanagem. Mas como ninguém conhecia essa jaca rosa, imagina o tanto de trabalho de Branding pra explicar a cor, explicar a marca, se, com uma jaca verde, ficaria tudo mais claro?
E esse é o ponto em que eu quero chegar. Você, cliente, não deve ter todos os seus desejos realizados pela agência. Eu sei que voce tem um sonho, que você estudou (espero que tenha comprado o curso do Antônio), entende dos processos de realizar seus produtos. Mas tudo isso não serve para nada, por que você não sabe fazer o que eu sei. Não entenda como prepotência. Eu também não sei fazer o que você sabe.
Devemos partir do ponto em que, por mais que o cliente tenha uma ideia do que ele quer fazer, na hora dele vender a ideia dele, ele vai se contaminar pelos seus gostos pessoais, pelos seus preconceitos, enfim, por todas as ideias de quem vive o negócio por dentro. A visão do cliente, a sua visão, é a de quem está dentro do negócio. Mas o seu cliente, está fora. É por isso que você deve seguir o que a sua agência está falando para você.
Claro, se a agência estiver falando uma parada muito fora da caixa, ou que te incomoda de alguma forma, ok. Pode discordar. Mas geralmente não é o caso. E esse acaba sendo o grande embate entre clientes e agências.
Como eu escrevi na semana passada, a agência serve para fazer publicidade para o seu negócio. Não é para vender. Não é para fechar negócios. Nós usamos todo o nosso conhecimento para fazer com que mais pessoas conheçam a sua empresa. Esse é o trabalho. Qualquer um que te prometa outra coisa, está sendo desonesto com você, e com o mercado publicitário. Óbvio, com uma publicidade bem feita, você certamente vai vender mais. Mas a venda é a consequência do trabalho, não a finalidade em si.
Nosso trabalho é, além da publicidade em si, é cuidar para que você não faça muita merda com a sua marca. É evitar que você perca um tempo precioso da sua vida fazendo dancinha na rede social achando que vai vender. Não é por aí que a coisa funciona. E se você quer investir em as suas redes sociais, e deve (olha o Márcio que tem 37 seguidores no perfil da agência falando em investir em rede social…haha), você tem que fazer um perfil que tenha, minimamente, a ver com a sua marca, com o seu público-alvo, e com seu mercado. Além disso, as redes sociais são outra parada. Não é só fazer post de vendas. Mas isso é outro assunto. O ponto é: nós estamos aqui para que você não faça a besteira de ter uma empresa de processamento de jaca, com um logotipo cor de rosa. Confie minimamente no que a gente tem a dizer. Confie no processo, que no final, vai dar bom.
Esse foi o papo dessa quarta-feira. Espero que tenha sido útil para vocês. Se você gosta desse tipo de conversa, em que trago os bastidores do meu trabalho, deixe nos comentários, e eu trago as bizarras histórias de cases que já tivemos. E os cases bacanas também. A maioria são excelentes, mas eu sei que o engajamento só vem com baixaria e fuleragem. Além disso, por favor deixe seu like, compartilhe esse texto com quem você gosta, ou com quem você não gosta, caso você tenha detestado o que eu escrevi e comente abaixo. Participe da discussão e até semana que vem.





