
Olá, meu bom empreendedor. Sei que estive sumido nos últimos tempos, mas agora estou pronto para retomar esse espaço. Estou em uma nova casa, com novos projetos, e em breve, teremos uma nova marca. Mas, nesse meio tempo, não parei de trabalhar. E, como nos últimos textos mostrei pra vocês como identificar uma boa agência, agora, vou trazer uma dica do outro lado: como não ser um péssimo cliente. Vamos lá?
Recentemente, eu fechei um contrato e desfiz o contrato em tempo recorde. Sabe quando você percebe que aquele contrato, que parece uma alegria na hora de fechar, vai se tornar um problema? Pois é. Me aconteceu. Por óbvio que não vou revelar o nome do cliente, embora até devesse, mas é aterrador o comportamento, e até a arrogância com quem alguns clientes acham que podem tratar uma agência de design e gestão de marcas.
Mas vamos do começo: recentemente, fomos contratados para refazer a identidade visual, site e vídeo institucional de uma transportadora do nordeste. Esse é o máximo de informações que posso contar. Tudo começou a ir muito mal já na primeira reunião: como vocês já devem ter imaginado, trata-se de um projeto muito extenso. Em tempo normal, daria aí umas seis semanas, se não mais, desde a concepção da marca, até a entrega do último elemento. Quando propus o tempo de execução l, o cliente perguntou se não dava pra fazer em 20 dias. Consultei o time e chegamos a conclusão de que, sem retrabalhos, conseguiríamos fazer em 22 dias. No sufoco. Então aceitei o projeto. Tenham em mente: isso foi numa sexta. Quando foi segunda-feira, o cliente já queria saber se “a logo” já estava pronta. Ora, meu caro. Vá a merd@. Claro que não. Mas enfim.
Lição número 1: não sejam o tipo de cliente que não entende processo criativo. Um processo de criação de identidade visual leva tempo. Não se trata de um desenhinho, uma besteirinha, em que você junta um quadrado, um círculo, faz uma setinha e tá lá. Não! Se você quer esse tipo de trabalho, peça pra alguém que trabalhe assim. Tenha em mente que marca não é gasto. É legado. Olha aí o McDonald’s. A Coca-Cola. Basicamente o mesmo logotipo desde sempre. É legado. Você reconhece essas marcas a quilômetros de distância. Se você não entende isso, você nem deveria estar pensando em abrir uma marca. Em resumo: dê tempo para a equipe de design pensar.
Passados 4 dias, ou uma semana após a reunião inicial, entregamos o nosso conceito. Como sempre faço, e como forma de respeito ao cliente, eu crio um documento, com a marca, a explicação conceitual, algumas aplicações. Enfim, é importante respeitar e entregar o melhor para o cliente. Isso na sexta-feira, de tarde. Aí na sexta, quase meia-noite, ele retornou. Tenham em mente o horário. QUASE MEIA-NOITE. Tudo bem, ele me perguntou se poderia me chamar um pouco mais tarde, para avaliarmos o trabalho, pois a vida está a corrida e tal. Mas pô! Meia-noite não. Você precisa respeitar não apenas o horário comercial, mas o descanso dos profissionais. Quando ele perguntou se poderia ser mais tarde, eu achei que fosse oito, nove da noite. Mas não. O cara teve essa manha de ligar meia-noite. Inacreditável.
Lição número 2: não sejam o tipo de cliente que não tem respeito pelo horário das pessoas. Você não pode ligar para as pessoas todo dia, em um horário em que ela está descansando. Eu nem deveria estar trazendo isso aqui, pois é básico de educação, mas pelo amor de Deus, respeite as pessoas. A padaria fecha às dez da noite pro padeiro descansar. Entenda: o mundo não está à sua disposição. Não é porque você está pagando, que o profissional tem que estar sempre te esperando. E esse nem é o pior caso. Eu já tive clientes que se sentiam confortáveis em me ligar 4 da manhã. É duro. Continuando.
Aí veio o feedback dele. Não gostou. Achou a marca muito simples. Ou seja, ele nem leu o conceito. E sabe como eu sei que ele nem leu? Porque ele achou que o projeto da marca que eu enviei fosse o manual da marca. E ele veio com essa: “olha, eu vou ser franco: eu achei o manual da marca muito simples e incompleto.” Aí eu respirei um pouco e disse, por óbvio, que eu nunca enviei o manual da marca. O manual da marca, por óbvio, deve se entregue após a marca ser aprovada. Oxi. E o pior, ele veio dizendo que já trabalhou com marcas e design, e por isso não gostou do manual. Ainda bem que eu tenho educação, pois a vontade de mandar para aquele lugar era imensa.
Lição número 3: não seja o tipo de cliente que mente. Se você soubesse fazer o que eu faço, você não viria até mim, me pagaria, para fazer. Óbvio. Se eu soubesse fazer pão, não iria na padaria. Isso é desrespeitoso com qualquer profissional. Aliás, brasileiros, entendam: vocês não entendem de design de marcas (exceto os profissionais). Respeitem as pessoas que trabalham e estudaram o assunto. Você pode até não gostar do resultado mostrado, mas isso não significa que você entende mais do assunto do que o profissional. Você vai ao médico e discorda do remédio que ele te receitou? Cacete. Baixa a bola. Você não precisa sempre estar acima. Fica calmo. Peça explicações sobre o trabalho apresentado. LEIA O DOCUMENTO COM O CONCEITO. Continuando…
Ainda na sexta, à meia-noite, eu perguntei mais informações. Mandei alguns exemplos de logos de marcas famosas, mais simples e mais complexas, para ele me dizer o que ele preferia. Ele não me respondeu. Disse que preferia que eu refizesse a antiga marca dele. Mas ele não me disse o que tinha de errado com a marca. Qual o caminho seguir?Ele não disse. E ainda me pediu para fazer ao menos três designs para ele escolher. Aqui ele me emputeceu.
Lição número 4: Não se faz três designs diferentes para um mesmo conceito. Gente, entendam: quando se trata da identidade da marca, o conceito é a chave elementar. Ele wue vai ditar como que a marca vai ficar. Não sigo que é impossível, mas a partir de um conceito, você cria uma marca, que será embasada nesse conceito e fará todo o sentido. Você pode pedir uma ou outra alteração, mas a partir de um símbolo inicial. Qualquer designer que te mande três trabalhos totalmente diferentes, está chutando o conceito. No fim, a sua marca dificilmente ficará bacana.
Infelizmente, eu tenho que esperar a meia-noite de hoje para saber se ele vai encerrar o contrato ou vai me trazer mais direcionamento. Duvido. Acho que esse contrato se foi. E foi livramento. Vá com Deus. Mas, como eu não sei o que vai acontecer, semana que vem eu vou trazer a parte dois desse imbróglio para a sua diversão e educação. Até semana que vem!





