
Mulheres que redesenham os caminhos da música
Ao longo da história da música, muitas vozes femininas precisaram lutar para serem ouvidas. Não apenas como intérpretes, mas como compositoras, instrumentistas, produtoras e criadoras de novas sonoridades. Durante décadas, sua presença foi limitada por narrativas que reduziram seu protagonismo, embora sua contribuição sempre tenha sido inventiva e transformadora.
Nas últimas décadas, essa realidade vem mudando de forma mais visível. Muitas artistas ocupam hoje o centro da cena cultural, ampliando horizontes estéticos e propondo novas formas de ver e escutar esse mundo plural. O que vemos não é apenas resistência, mas também um gesto criativo que aponta para o futuro.
Na música contemporânea, mulheres misturam gêneros, experimentam linguagens e constroem pontes entre tradição, tecnologia e inovação. A música, afinal, também é um território de imaginação.
.
Quando a música encontra novas narrativas
Toda geração reinventa a música à sua maneira. Novos instrumentos surgem, tecnologias se transformam e diferentes vozes passam a narrar o tempo em que vivem.
Hoje, muitas dessas narrativas são conduzidas por artistas que constroem universos sonoros próprios. Elas transitam entre samba, jazz, pop, música eletrônica e hip-hop, criando diálogos entre tradição e contemporaneidade.
É o caso de artistas como Liniker, cuja obra une potência vocal e sensibilidade estética, ou Luedji Luna, que conecta sua música às raízes afro-brasileiras e às sonoridades do mundo.
Há também criadoras que exploram territórios híbridos da música contemporânea, como Ana Frango Elétrico, artista que transita entre o indie, o experimental e a canção brasileira com liberdade criativa. Cada uma, à sua maneira, amplia o repertório da música brasileira.
.

O som também nasce nos bastidores
Durante muito tempo, a história da música destacou principalmente as vozes que estavam diante do público. Mas por trás de cada canção existe um universo complexo de criação: arranjos, produção musical, engenharia de som e experimentação tecnológica.
Nesse território, a presença feminina também vem crescendo na visibilidade. Produtoras, DJs e beatmakers contribuem para redefinir a paisagem musical contemporânea. Nomes como Badsista mostram como a música eletrônica, o funk e o hip-hop podem dialogar com novas perspectivas culturais.
Quando essas artistas ocupam estúdios, palcos e cabines de DJ, algo fundamental acontece: novas formas de escuta passam a existir.
.
Coletivos, encontros e novas redes criativas
Outro movimento importante é o surgimento de coletivos, festivais e iniciativas culturais que ampliam a presença feminina na música.
Esses espaços funcionam como territórios de troca e fortalecimento artístico. Em muitas cidades surgem batalhas de rap, encontros de compositoras e redes colaborativas que estimulam novas criações.
Essas iniciativas mostram que a transformação cultural não acontece apenas no palco, mas também nas redes que sustentam a cena artística. A música, afinal, sempre foi uma arte coletiva.
.
Quando a escuta aponta para o amanhã
Celebrar o Dia Internacional da Mulher na música é reconhecer que a história sonora do mundo está em constante transformação.
Se em outros tempos muitas artistas precisaram abrir caminhos em cenários adversos, hoje vemos uma geração que não apenas ocupa espaço, mas também reinventa o mapa da música.
Suas canções falam de identidade, memória, afeto e política. Misturam ritmos, atravessam fronteiras e dialogam com novas tecnologias. Cada música criada abre uma fresta por onde o futuro pode ser ouvido.
.

Trilogia Mulheres Na Música: presença, resistência e criação
Ao longo dos últimos anos, a coluna Balaio do Leollo tem buscado observar a música como expressão viva da cultura. Quando revisitamos os textos dedicados ao Dia Internacional da Mulher, percebemos que eles formam um percurso narrativo que atravessa reconhecimento, luta e criação (como movimentos de uma mesma composição).
Em 2024, o olhar voltou-se para a presença feminina na história da música, lembrando pioneiras como Chiquinha Gonzaga e intérpretes marcantes como Elis Regina e Gal Costa. Em 2025, o foco deslocou-se para a resistência, destacando trajetórias como a de Elza Soares e artistas contemporâneas como Bia Ferreira, que aproximam música e consciência social.
Agora, em 2026, chegamos ao terceiro movimento: a criação. Mais do que reivindicar espaço, muitas artistas estão reinventando a música contemporânea. Vozes como Liniker, Luedji Luna e Ana Frango Elétrico mostram que a música feita por mulheres continua criando novos caminhos e apontando para o futuro.
E nesse futuro, por favor, precisa ter cada vez mais vozes femininas.
Vida longa a todas as vozes femininas — Leollo Lanzone
#FicaLokaMasNãoFicaBurra





