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Playlist Algorítmica: Somos Nós que Escolhemos a Música?




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O risco é cair em uma bolha sonora, repetitiva, onde a diversidade musical se perde em favor da previsibilidade.

Cata essa cena: você abre o aplicativo de música e, antes mesmo de pensar no que queria ouvir, encontrou uma playlist que antecipa seu humor, impulsiona sua corrida ou até mesmo propõe o clima do jantar de domingo. A conveniência é sedutora: com um simples clique, mergulhamos em um fluxo sonoro que em tese foi cuidadosamente organizado para nós. Mas penso, será que essas escolhas são realmente nossas ou estamos apenas embarcando em um roteiro traçado por manipuladoras máquinas invisíveis? Num mundo que tenta apagar nossa autoralidade, isso me parece sério demais para deixarmos para lá.

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Num geral, os algoritmos que regem as plataformas de streaming têm como principal objetivo manter a nossa atenção (a qualquer custo). Eles estudam nossos hábitos de escuta, cruzam com os comportamentos de milhões de outros ouvintes e nos entregam faixas que, em teoria, dificilmente iremos pular. O resultado nos parece confortável, pois sempre há algo que soa certo para aquele nosso momento. Alguns críticos de música que eu acompanho, dizem que o risco é cair em uma bolha sonora, repetitiva, onde a diversidade musical se perde em favor da previsibilidade.

Ao mesmo tempo, essa suposta curadoria automatizada abre portas para artistas independentes que conseguem alcançar públicos antes inalcançáveis. Uma faixa pode ganhar notoriedade global em poucos dias se encaixar no padrão algorítmico certo. Mas aqui está a questão de milhões: será que enquanto democratiza o acesso, o sistema também pode sufocar a singularidade, padronizando o que ouvimos e moldando nossa própria noção do que é tendência? E onde fica o espaço para a surpresa? Não tenho todas essas respostas, mas posso sim trazer minha experiência pessoal com streaming.

playlist Quando deixamos apenas a máquina decidir, corremos o risco de perder esse elemento de aventura que faz parte da experiência de ser ouvinte.

A música sempre foi para mim, um tempo de descoberta. Amo momentos que me dedico à garimpar novidades de artistas que adoro, me deparar com projetos de novos artistas para mim. Eu posso dizer que essa minha inquietude me leva mais encontros inesperados, pois no meu caso, o algoritmo entende meu perfil “desbravador”. Então, afirmo que as indicações que recebo das plataformas são projetadas desta minha fome de ouvir, ouvir e ouvir – quanto mais eu descubro música boa, mais aprendo que tem mais música boa para ser ouvida. Considero meu cardápio sugerido de forma ampla e surpreendente.

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O que quero dizer então é: quando deixamos apenas a máquina decidir, corremos o risco de perder esse elemento de aventura que faz parte da experiência de ser ouvinte. Por isso, buscar playlists criadas por pessoas, ouvir rádios independentes, trocar indicações com amigos ou simplesmente explorar sem destino nas plataformas é uma forma de resistir a entrar “numa bolha previsível” e ter mais controle para construir nossa identidade musical.

Me parece que ao criar um olhar e ouvidos mais atentos, iremos perceber que, embora as plataformas de streaming tenham trazido muitos benefícios para quem distribui e para quem acessa música, também apresentam desafios significativos à indústria musical, que precisam ser abordados para garantir uma distribuição que seja justa e ao mesmo tempo sustentável quanto à receita para os artistas. Se essa relação não for justa, acabaremos com o incentivo ao artista que tanto amamos, em fazer mais produções que irão deliciar nossos sentidos.

O futuro da música dependerá, em grande parte, do reconhecimento que entregamos hoje aos produtores de conteúdos sonoros. Portanto, os algoritmos podem sugerir muitas opções, mas cabe a nós decidir se seguimos esse fluxo da comodidade ou revalorizaremos as descobertas inesperadas da dica de um amigo ou de um crítico musical, para você escolher e montar o seu balaio musical.

playlist Se aceitarmos apenas o cardápio sugestionado pelo algorítmo, o risco será reduzir nossa escuta a um reflexo do que já fomos.

Para encerrar, cada faixa que escolhemos ouvir, também é uma forma de escolher quem queremos ser naquele momento. Se aceitarmos apenas o cardápio sugestionado pelo algoritmo, o risco será reduzir nossa escuta a um reflexo do que já fomos. Mas quando estimulamos espaço para o inesperado, me parece como abrir uma janela: um ar novo entra, a vida renova e a música retoma o território de liberdade que nenhum algoritmo consegue aprisionar. A sanidade da nossa escuta e a vitalidade da própria música, depende dessa coragem de sair da rota pronta e permitir-se ser surpreendido pelo som do mundo.

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Vida longa ao som bom (em bom som) e com muita liberdade de escolher o que dar play. – Leollo Lanzone

Leollo

Leollo Lanzone é o alter ego de Mauro Galasso, que é de verdade, mas não cabia numa persona só. Tem olhar objetivo e sensível, tem o hábito de montar playlists, adora dançar eletrônico, sabe cozinhar, falar de amizade e tem opinião sobre quaaase tudo.




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