
Os países da América do Sul com os quais tenho mais intimidade cultural e social, ainda que pouca, são Argentina e Uruguai. Os países do lado de lá dos Andes, como Chile, Bolívia, Peru, Equador, chegando até a Venezuela (que já é a entrada para o Caribe), tenho pouco contato; mas sempre tive adoração pela música em língua espanhola que brota autêntica destes territórios. Talvez uma herança familiar esta paixão sonora pela linguagem latina: seus ritmos, cores, sabores, culturas e com bases históricas parcialmente diferentes da nossa, onde tivemos fundações por uma colônia portuguesa – um outro olhar desse xadrez de conquistadores.
Lendo mais a fundo sobre pensadores e revolucionários da região, percebo como o mundo hispano-americano tem ganhado uma identidade forte, moldada pela língua e pela cultura. Hoje, trago para vocês um pensamento sobre como perceber nossos vizinhos, percebendo como ao trazermos essas diferenças na história, nos torna capaz de construir um maior fluxo entre nossas sociedades. Temos sim uma base histórica antagônica. O processo de colonização espanhola operou com outro grau de “inteligência” estratégica e com suas doses de opressão e crueldade. E muito antes do Brasil estar aqui com o Cabral e suas artimanhas.
Conhecer mais sobre os povos andinos, especialmente na minha recente viagem ao Peru, abriu meu coração para “o lado de lá dos Andes”. Senti-me integrado, bem recebido, dentro de uma sociedade rica que merece nossa atenção, principalmente pela força de seus povos originários.
Fiz uma playlist chamada Caminhos Sonoros na América Latina (link para Spotify), inicialmente dedicada a artistas peruanos, para trilhar os caminhos que percorreria por lá. Mas, ao chegar no Peru, durante todo o processo da viagem, eu ouvi muita coisa de fora: motorista de Uber ouvindo música em inglês; reconheci bastante a banda mexicana Maná em vários lugares diferentes; Artistas colombianos figuravam nos locais que passamos; muita salsa e rock de bandas locais que fui descobrindo através do agente do Google.
As músicas andinas, por outro lado, foram um portal sensorial. Aquela referência originária às tradições culturais do povo Inca. Que voltei com a certeza de uma sociedade ancestral coerente no valor individual e forte no resultado coletivo. Através de pesquisas com o “microfone no Google”, fui descobrindo artistas deste território noroeste da América do Sul. Essa fusão que trago aqui apresenta artistas peruanos, colombianos, venezuelanos e mexicanos, como meu peito aberto, uma forma de me conectar mais profundamente com esses povos e com suas culturas. Meu coração está aberto para isso.
Fica o convite para caminharmos juntos pela música latina. Que possamos olhar para esse lado do mapa, tentando criar uma ponte mais sólida e fluída com nosso Brasil. Uma verdadeira difusão cultural mais extensa e real.
Olhe para o lado de lá (dos Andes) e deixe-se tocar por essa linguagem musical. Vem comigo.
Vida longa ao som bom (em bom som) e uma América Latina mais unida pela música — Leollo Lanzone





