Your request was blocked.
> COLUNAS

Artistas LGBT+ brasileiros: motivos legítimos do nosso ORGULHO



LGBT+

O mês de junho nunca passa em branco. Ele chega colorido, pulsante e politizado, lembrando ao Brasil e ao mundo, que existir com orgulho ainda é um ato de coragem. Em especial no cenário brasileiro, onde avanços e retrocessos convivem lado a lado, a celebração da diversidade é urgente. Nesse contexto que nasce a coluna de hoje: uma homenagem aos artistas LGBT+ que atravessam gerações e gêneros musicais, e que, com talento e coragem, ajudaram a construir pontes entre o afeto, a arte e a liberdade de ser quem se é.

O CONTEÚDO E MAIS ESTÁ NO WHATSAPP!

Junte-se a nós para ficar atualizado de todas as novidades!

O CONTEÚDO E MAIS ESTÁ NO WHATSAPP! Junte-se a nós para ficar atualizado de todas as novidades!

Vem aí a Maior Parada do Orgulho LGBT+ do mundo

Dia 28 de junho, São Paulo será palco para a 29ª Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo, evento que há quase três décadas transforma a Avenida Paulista em passarela de luta, celebração, política e diversidade. Desde sua primeira edição (1997), com cerca de 2 mil pessoas, a Parada cresceu até reunir milhões, tornando-se um dos principais acontecimentos turísticos e sociais do país. Mais que festa, é a afirmação de corpos, afetos e existências que historicamente foram/são marginalizados. Criando visibilidade, São Paulo se integra às Paradas do Orgulho que acontecem pelo Mundo, influenciando debates e políticas públicas em escala nacional e internacional.

Todos os anos, a Parada traz uma temática central que funciona como manifesto político-cultural, ecoando as demandas mais urgentes da comunidade LGBT+. Em 2017, por exemplo, o tema “Independente de nossas crenças, nenhuma religião é lei. Todas e todos por um Estado laico” denunciava o avanço do fundamentalismo religioso nas estruturas de poder. Já em 2019, o grito foi por “50 anos de Stonewall: Nossas conquistas, nosso orgulho de ser LGBT+”, numa ponte direta com o marco histórico de resistência em Nova York no dia 28 de junho de 1969 (que gerou o movimento PRIDE em quase todas as nações). Em 2022, pós-pandemia, o tema “Vote com Orgulho – Por uma política que representa”, apontou a urgência de representatividade nas urnas e no Congresso. Esses lemas não apenas dão o tom da festa, mas funcionam como norte coletivo para o movimento e seus aliados.

Agora, em 2025, a Parada reflete sobre o direito de “Envelhecer LGBT+: Memória, Resistência e Futuro”. Aborda a situação de uma parcela da comunidade tem sido invisibilizada por toda sociedade: as pessoas idosas  LGBT+, que carregam em suas trajetórias o peso da exclusão, do preconceito e da sobrevivência em contextos ainda mais hostis daqueles vividos atualmente. Ao falar de envelhecimento, a Parada debate sobre cuidado, saúde, redes de apoio e políticas públicas. Celebra a história viva de quem abriu reais caminhos para que hoje possamos existir com mais orgulho. Um convite à juventude LGBT+ para reconhecer essas memórias como parte da resistência e projetar um futuro mais justo, acolhedor e intergeracional: “Eu já apanhei muito no passado, para você poder dar pinta hoje em dia; me respeita seu muleke”.

LGBT+

O amanhã carrega às marcas de quem resistiu ontem

PUBLICIDADE | ANUNCIE

Na esteira desse tema tão necessário, voltarmos nosso olhar e nossos ouvidos, para quem tem feito da arte um lugar de afirmação e visibilidade: as cantoras, cantores e DJs que compõem o rico universo da música brasileira fora do armário, dentro do palco e no coração de tantas outras pessoas. Cada um carrega mais do que afinação, groove ou presença cênica. Sua existência pública, muitas vezes atravessada por preconceitos e barreiras, tornou-se símbolo de luta e potência criativa. A arte que produzem não apenas entretém, mas constrói imaginários, transforma realidades e cria pertencimento para milhares de pessoas que buscam referências de si no mundo.

Essas personalidades artísticas são, antes de tudo, gente. Cidadãs e cidadãos que sentem, envelhecem, vivem amores, rompem silêncios, desafiam normas e nos convidam a dançar, pensar, lembrar e seguir. São motivos legítimos do nosso ORGULHO. Não apenas pelas conquistas no mercado fonográfico, mas pela força com que suas narrativas pessoais se entrelaçam com as nossas. Ser fã dessas pessoas vai além da estética, pois é um ato de admiração por suas trajetórias. Somos impactados com suas mensagens e vivências; e isso é profundamente inspirador, independente do gênero que você tem. Eleva nosso orgulho em ser quem somos, sem vergonha e sem concessões.

– Mauro Galasso!? – Presente!

LGBT+ Imagem da Parada do Orgulho LGBT+ São Paulo em 2024

No caso da comunidade LGBT+, esses artistas vão além e transbordam em significados. Porque em cada disco, single, turnê ou post, há uma mensagem de resistência e amor próprio. Há memória, há presente, e há futuro. Há o lembrete diário de que existimos, sim, e que podemos amar, criar e envelhecer com dignidade. Em tempos de apagamento, essas vozes acendem faróis.

PUBLICIDADE | ANUNCIE

Por todo esse valor, reuni uma lista afetiva e potente com nomes que representam esse corpo artístico LGBT+ brasileiro. São vozes vivas e inesquecíveis, da velha guarda às novas apostas, de carreiras consagradas às trajetórias promissoras. Todas com algo em comum: talento, verdade e uma conexão profunda com quem são de verdade.

Adriana Calcanhotto, Alice Caymmi, Ana Carolina, Angela Ro Ro, As Baías, Banda Uó, Cássia Eller (em memória), Cazuza (em memória), Curol (DJ), Daniela Mercury, Daniel Peixoto, Gal Costa (em memória), Giovani Cidreira, Glaucia ++ (DJ), Gloria Groove, Hodari, Jaloo, Jão, Johnny Hooker, Las Bibas from Vizcaya (DJ), Leci Brandão, Leiloca Pantoja (DJ), Linn da Quebrada, Liniker, Ludmilla, Luísa Sonza, Lulu Santos, Majur, Mahmundi, Maria Bethânia, Maria Gadú, Marina Lima, Mart’nália, Márcia Castro, Mc Xuxu (em memória), Mel Gonçalves, Marcelo Saturnino (DJ), Mauro Borges (DJ) (em memória), Morais (DJ), Ney Matogrosso, Pabllo Vittar, Paulo Pacheco (DJ), Pepita, Pomba (DJ) (em memória), Priscila Tossan, Renato Russo (em memória), Renato Cecin (DJ), Rico Dalasam, Sandra de Sá, Silva, Simone, Silvero Pereira, Tássia Reis, Thalía Abdon, Thiago Pantaleão, Verônica Decide Morrer, Zélia Duncan.

Cada nome listado aqui carrega uma trajetória única, mas convergem num mesmo sentido: da dignidade, da expressão e da representatividade deles e de tantos outros LGBT+ que não foram aqui citados. Ouvir suas músicas, dançar com elas, chorar e sorrir com elas, nos faz renascer. Esses artistas constroem mais do que discografias, constroem sentidos. E neste junho de orgulho, que essa celebração sirva também como um lembrete: a arte LGBT+ brasileira não é margem, é centro; não é exceção, é força criadora.

Que envelhecer seja possível, digno e celebrado. Que viver com orgulho seja sempre um direito. E que cantar e ser ouvido, continue sendo um dos nossos maiores atos de resistência.

Vida longa ao som bom (em um bom som) e com muito ORGULHO.

PUBLICIDADE | ANUNCIE

#QuantoMaisPurpurinaMelhor

Leollo Lanzone

Leollo

Leollo Lanzone é o alter ego de Mauro Galasso, que é de verdade, mas não cabia numa persona só. Tem olhar objetivo e sensível, tem o hábito de montar playlists, adora dançar eletrônico, sabe cozinhar, falar de amizade e tem opinião sobre quaaase tudo.




CRIE SUA CONTA GRÁTIS E ENTRE NA CONVERSA!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


TRAGA A SUA VOZ PARA O CONTEÚDO E MAIS!

Escreva, compartilhe e influencie! Torne-se um colunista e publique suas opiniões, experiências e ideias em nossa plataforma.


Scroll to top