Your request was blocked.
> COLUNAS

A MPB foi desfeita e remixada: tem beat, baque e brega



mpb

A sigla MPB já foi sinônimo de um seleto grupo de artistas que, nas décadas de 60 e 70, misturavam samba, bossa nova, baião e canção de protesto em arranjos sofisticados, tudo com um sotaque assumidamente carioca ou paulista. Mas o tempo passou. A sigla continua viva, ela não sumiu, embora o conceito tenha se expandido, se desfeito, se remixado. Hoje, talvez mais do que nunca, a verdadeira Música Popular Brasileira é um espelho plural de quem somos: um país vasto, caleidoscópico, onde as tradições regionais encontraram canais próprios de expressão, se libertando da necessidade de “passar pelo eixo” para existirem.

O CONTEÚDO E MAIS ESTÁ NO WHATSAPP!

Junte-se a nós para ficar atualizado de todas as novidades!

O CONTEÚDO E MAIS ESTÁ NO WHATSAPP! Junte-se a nós para ficar atualizado de todas as novidades!

A tal “Nova MPB” não é exatamente um estilo, mas uma condição. Um estado de abertura, em que a pisadinha entra sem pedir licença, o tecnobrega sobe ao palco principal, e o jongo volta com força pelas mãos de jovens que revisitam a ancestralidade como quem assume identidade. A internet, com sua capilaridade democrática, furou os bloqueios dos velhos intermediários e acendeu os holofotes em pontos antes ignorados do mapa. De repente, sons que nasciam à margem do mainstream se projetam para o Brasil todo — e o país ouve e gosta.

Foi assim que conheci, lá nos anos 90, o som que vinha de Pernambuco. O movimento Manguebeat, puxado por Chico Science, Otto, Fred 04 e a turma do Mundo Livre S.A., desafiava padrões ao misturar maracatu, coco, frevo e caboclinho com guitarras distorcidas e batidas eletrônicas. Aquilo não era “influência regional”, era a alma viva de uma cena que não precisava ser validada por ninguém. Era raiz e vanguarda, ao mesmo tempo. E me pegou de jeito.

mpb

Outro capítulo essencial dessa transformação sonora é a ascensão do Funk Carioca. Nascido nas comunidades do Rio, com suas batidas rústicas e letras cruas, esse gênero foi por muito tempo marginalizado — mas sobreviveu, se reinventou, e hoje é reconhecido mundialmente como um ritmo tipicamente brasileiro, tal qual a bossa nova, o samba e o axé. A batida contagiante do funk ultrapassou fronteiras, tornando-se trilha de festas em diversos países, além de ocupar espaços nobres da indústria pop. Projetos consistentes de artistas como Anitta, Pabllo Vittar e Pedro Sampaio consolidaram esse movimento, levando o som das favelas para os palcos globais, sem abrir mão da identidade local. O funk mostrou que a Nova MPB também pulsa no grave, no rebolado, na ousadia e no microfone do baile.

Hoje, sigo sentindo essa emoção diante de novas experimentações que vêm do interior e do litoral, do sertão e da floresta. A Nova MPB é esse blend que nos faz entender que a música do povo brasileiro nunca coube num único molde. Ela é rap indígena do Xingu, é chula marajoara, é moda de viola do sul de Minas, é reggae do Maranhão, é samba de roda baiano, é o axé eletrônico que pulsa em Salvador e é, também, a canção urbana que mistura tudo isso sem perder a poesia.

Fiz uma playlist chamada Uma Nova MPB (Spotify), onde reúno artistas que expressem esse novo olhar da musicalidade brasileira: amplo, rico em estilos e temáticas, sem deixar de ser original e criativo. Tem me servido como bússola para absorver ritmos que antes ficavam de fora de meu campo de audição, por meu pré-conceito ou ainda desconhecimento mesmo. Minha curiosidade tem aberto portas e porteiras lindas e comoventes. Vem comigo nessa balaio!?

PUBLICIDADE | ANUNCIE

Há quem tente encaixar essa música em novos rótulos. Eu prefiro chamar de reinvenção. Porque a Nova MPB não apaga o passado, ela honra o que veio antes enquanto traça novos caminhos, com o pé no chão e a cabeça nas nuvens. E, no fundo, talvez isso sempre tenha sido a essência da nossa música popular: o poder de se transformar, sem nunca deixar de ser nossa.

Vida longa ao som bom (em um bom som) e com muito ORGULHO em ser brasileiro.

Leollo Lanzone

mpb

Leollo

Leollo Lanzone é o alter ego de Mauro Galasso, que é de verdade, mas não cabia numa persona só. Tem olhar objetivo e sensível, tem o hábito de montar playlists, adora dançar eletrônico, sabe cozinhar, falar de amizade e tem opinião sobre quaaase tudo.




CRIE SUA CONTA GRÁTIS E ENTRE NA CONVERSA!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


TRAGA A SUA VOZ PARA O CONTEÚDO E MAIS!

Escreva, compartilhe e influencie! Torne-se um colunista e publique suas opiniões, experiências e ideias em nossa plataforma.


Scroll to top