
Tanto se fala sobre autoconhecimento e quase não se ouve o que é e como fazer, fica tudo muito subjetivo e abstrato, e normalmente vamos sendo direcionados para um mundo muito distante, como se fosse um mergulho profundo reservado para monges, terapeutas ou pessoas muito iluminadas. E pensamos “isso não é para mim” ou “eu não tenho tempo para isso”
Quando na verdade á para todos e deveria ser incentivado desde a infância.
Não é algo que se compra, que se aprende hoje e amanhã está tudo resolvido em sua vida, não é algo que se “faz de uma vez”, é uma prática diária, que acontece enquanto vivemos.
Autoconhecimento é um processo constante de uma vida inteira, uma jornada consciente para se conhecer, é a nossa capacidade de ter esse olhar investigativo sobre nós mesmos, de direcionarmos mais atenção para a nossa própria vida do que para o que o outro está fazendo ou dizendo.
Não tem um ponto final, mas vibramos quando conseguimos perceber a nossa pequena evolução como seres humanos nessa vida.
O convite para o Autoconhecimento
O convite para essa jornada chega em momentos diferentes da vida para cada pessoa, e normalmente vem com um desconforto emocional, uma sensação que falta algo, que existe mais a descobrir sobre você mesmo, a vida, o universo. Pode surgir uma percepção que você não cabe em determinados espaços, situações, relações, grupos ou ambientes. Como se fosse uma ruptura de tudo o que você vivia, chegam juntos alguns questionamentos:
“Se esse não é o meu lugar, qual é o meu lugar?”
“Se eu sair daqui para onde vou?”
“Quem Sou Eu sem tudo isso?”
Nesse momento se tem algumas escolhas, se manter no automático, deixar para lá esses desconfortos que são “besteiras”, afinal, é preciso seguir o script da vida, que muitas vezes não foi você que escreveu ou ter coragem de olhar para o seu mundo interno e encarar a sua luz e a sua sombra. O processo não são só flores, há dores, porém, pode ser leve e essas dores depois de superadas trazem fortalecimento e alinhamento com a sua essência.
O processo
Autoconhecimento não é ficar apenas meditando ou analisando cada emoção o tempo inteiro. Embora essas práticas façam parte do processo, a meditação ajuda a cultivar presença e a observação das emoções revela nossos padrões.
Existe um equívoco comum de achar que precisamos nos retirar do mundo para nos conhecer profundamente. E não é isso, autoconhecimento não é inércia, mas sim, ação, movimento na vida, é justamento vivendo as relações, trabalho, conflitos, ambientes do dia a dia que se percebe quem se é, a vida não vai parar para esse processo acontecer com você.
Quando começamos essa jornada de autoconhecimento, logo percebemos que nem todos estão no mesmo momento ou no mesmo caminho que escolhemos trilhar. No início, é comum querer levar todo mundo junto, compartilhar cada descoberta, abrir os olhos das pessoas ao redor, as vezes até forçamos um pouco a barra, tentando convencer, explicar ou acelerar o tempo do outro.
Aos poucos, vamos entendendo que cada pessoa tem seu próprio ritmo, suas próprias experiências e o seu tempo de despertar para si mesmo. Normalmente eles não vão nos acompanhar, essa descoberta pode trazer uma sensação de que estamos caminhando sozinhos e muitos questionamentos e desconfortos emocionais surgem, como: sensação de não pertencimento, de ser diferente, de ninguém entender você, de acharem que você é fora da realidade, se questionar se vale a pena continuar entre outros. Isso não é uma regressão, são ajustes, um sinal de que você está mais consciente e trilhando o seu próprio caminho.
Conforme continuamos a caminhada vamos enfrentando nossos medos, angústias, entendendo o que nos bloqueia e o que nos fortalece, vamos aprendendo ver beleza no simples e a lidar com os conflitos. Com o tempo outras pessoas, ambientes, grupos e relações chegam até nós.
Utilizando algumas ferramentas é possível lidar com esses conflitos internos com maior fluidez, isso não que dizer que vai ser indolor.
Por onde começar?
Se você está lendo esse texto é porque já começou o seu processo consciente, sente que algo precisa mudar e tem cada dia mais curiosidade em aprofundar em si mesmo.
Temos um universo vasto de possibilidades que contribuem para o autoconhecimento, alguns você vai se identificar mais, outros nem tanto, pratique o que faz mais sentido para você nesse momento de vida. Nada precisa ser fixo e escrito em pedra, se permita mudar e conhecer novas práticas e ferramentas.
Vou deixar aqui algumas sugestões simples para colocar em prática na sua rotina e transformar essa prática em hábito:
- Escrita Terapêutica: ter um diário das suas emoções, escreva o que está sentindo, sem julgamento e cobrança na escrita. Isso ajuda a mapear padrões emocionais e comportamentais ao longo do tempo. Estudos mostram que essa prática aumenta a autoconsciência e ajuda a regular emoções e estresse.
- Novas experiências: fazer pelo menos 1 coisa diferente na sua rotina e observar como se sente, não precisa ser nada grandioso, algo simples, como por exemplo: se não costuma tomar chá, tome um chá e perceba como se sente, fazer um caminho diferente, escovar os dentes com a mão não dominante. Isso ativa novas conexões neurais, quebramos o nosso modo automático e trazemos mais presença e foco para o dia.
- Nomeie suas emoções: ao longo do seu dia lembre de nomear o que sente, se pergunte “o que eu sinto agora?”, dar nomes ao que se sente traz um alívio interno, com o tempo percebe que você não é a emoção, só está sentindo naquele momento e que ela vai passar.
Poderia trazer inúmeras práticas aqui, mas acredito que se conseguirmos aplicar essas três já teremos uma grande evolução, e com certeza nos próximos textos falarei mais sobre práticas e autoconhecimento.
Até a próxima!





