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Uma viagem pela Sexta-feira Santa



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Há dias em que o mundo parece falar mais baixo.

Não por tristeza.
Mas por respeito.

A Sexta-feira Santa é um desses momentos em que, em diferentes partes do mundo, o tempo desacelera quase como um acordo silencioso entre culturas, cidades e pessoas. As ruas mudam de ritmo, os sons se suavizam, e até quem não segue tradições religiosas percebe que há algo diferente no ar.

É um convite.

Não necessariamente à fé, mas à pausa.
À contemplação.
Ao olhar para dentro mesmo estando do outro lado do mundo.

Há algum tempo, em uma viagem, me deparei com esse silêncio coletivo pela primeira vez.

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Não era algo combinado, não havia anúncio, mas estava ali.
Nas ruas mais vazias, nos olhares mais introspectivos, na forma como as pessoas caminhavam… com mais calma.

Lembro de pensar como aquilo contrastava com o ritmo que eu vinha vivendo.
E, sem perceber, eu também desacelerei.

Foi um daqueles momentos em que a viagem deixa de ser sobre o destino e passa a ser sobre o que ela desperta dentro da gente.

Viajar nessa época é uma experiência singular.
Não é sobre roteiros acelerados ou listas de lugares para conhecer.
É sobre sentir.

Em Sevilha, por exemplo, as ruas se transformam em cenários de tradição e beleza. As procissões atravessam a cidade com uma estética impressionante passos lentos, vestes cuidadosamente elaboradas, um silêncio que emociona sem precisar de palavras. Não é apenas um evento religioso. É cultura viva, transmitida de geração em geração.

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Já em Roma, a atmosfera ganha outro tom. Ao redor do Coliseu, a Via Sacra acontece à luz de velas, criando uma cena que mistura história, espiritualidade e contemplação. Mesmo para quem observa de fora, há algo de profundamente simbólico naquele encontro entre passado e presente.

No Brasil, e muitas cidades, a tradição ganha um calor humano único. Cidades históricas se mobilizam, moradores participam ativamente, e os famosos tapetes de serragem transformam as ruas em verdadeiras obras de arte efêmeras. É uma celebração que une comunidade, memória e expressão cultural.

E há ainda lugares como as Filipinas, onde as manifestações são mais intensas, revelando o quanto cada cultura encontra sua própria forma de viver esse momento. Diferentes expressões, mas um mesmo desejo: dar significado ao tempo.

O mais curioso é perceber como cada cultura encontra sua própria forma de expressar o invisível.

Algumas através do silêncio.

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Outras, pela música contida.

Outras ainda, pela estética, pelos gestos, pelos rituais que atravessam gerações.

Não existe uma única forma de viver esse dia e talvez seja justamente isso que o torne tão especial.

Porque, no fundo, não se trata apenas de tradição.
Se trata de significado.

E significado… cada cultura constrói à sua maneira.

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O mais interessante de tudo isso é perceber que, mesmo em contextos tão distintos, existe um ponto em comum.

A necessidade de parar.

De silenciar o excesso.

De reorganizar pensamentos.

De dar espaço ao que, na correria do dia a dia, muitas vezes passa despercebido.

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Viajar, nesses momentos, deixa de ser apenas deslocamento.
Se torna presença.

Não é sobre ver mais.
É sobre sentir melhor.

É perceber que nem todo silêncio é vazio muitas vezes, ele é cheio de significado.

Que nem toda pausa representa perda de tempo às vezes, ela é exatamente o que nos reposiciona.

Em um mundo onde tudo acontece rápido demais: notícias, decisões, mudanças, momentos como esse se tornam ainda mais necessários.

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Não como fuga da realidade.
Mas como uma forma de não se perder dentro dela.

Porque pausar não é ignorar o que acontece ao redor.
É ganhar clareza para seguir com mais consciência.

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E talvez seja isso que tantas dessas tradições, ao redor do mundo, ainda tentam nos ensinar mesmo em tempos tão modernos.

A importância de parar… para continuar melhor.

E talvez seja esse o verdadeiro valor de viajar durante a Sexta-feira Santa.

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Não apenas conhecer tradições.
Mas se permitir viver um ritmo diferente.
Um ritmo que convida à reflexão, mas também à renovação.

Porque, em muitos lugares, esse dia não é um fim.

É um intervalo.

Um espaço entre o que foi… e o que está por vir.

Um respiro.

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Talvez seja por isso que, mesmo em meio ao silêncio, exista beleza.
Mesmo na pausa, exista movimento.
E mesmo na introspecção, exista esperança.

Viajar, afinal, também é isso.

É atravessar lugares… e, sem perceber, ser atravessado por eles.

E, às vezes, é justamente quando o mundo desacelera…que a gente encontra novas formas de seguir.

Um excelente feriado a todos!

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Grande abraço 😊

Selma Cabral.

Selma Cabral

Selma Cabral- Diretora e Consultora de Turismo e Eventos na Empresa Turismo & Ideias e Colunista e Mentora para Negócios no portal Conteúdo e Mais.




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