
Em tempos de respostas rápidas e pesquisas instantâneas, há algo profundamente humano em aprender com o coração, com o tempo e com a própria vida e história.
Desde criança, sempre tive um fascínio por aprender. Escrever era e ainda é a minha forma de pensar em voz alta, de conversar comigo mesma e entender o mundo ao meu redor.
Cada caderno cheio de anotações, e acreditem ainda tenho vários, assim como as agendas que guardo muitas, cada tentativa de explicar com palavras o que eu sentia, era uma forma de organizar o caos e dar sentido ao que vivia.
Lembro-me das longas tardes decorando questionários para as provas. As matérias que menos me encantavam eram as que mais exigiam isso, mas, paradoxalmente, foram as que me ensinaram algo precioso: a disciplina da memória.
A repetição transformou-se em treino. E, sem perceber, eu estava fortalecendo a mente tanto quanto o coração.
Hoje, vivemos uma era em que todos temos pressa, é tudo ao mesmo tempo agora, ninguém tem paciência para conversar com calma, sentar e tomar um café mas com tempo para sentir o aroma, apreciar o sabor, apreciar uma comida de verdade, olhar em volta, perceber e ouvir as pessoas com atenção e carinho.
É possível saber o que quisermos mas será que estamos realmente aprendendo?
Há uma diferença profunda entre informação e conhecimento. A informação é imediata, passa rápido. O conhecimento, esse sim, é lento: exige presença, curiosidade e a coragem de se demorar nas perguntas. Ele vem de viver, de sentir, de errar, de tentar compreender o outro e a si mesmo.
Talvez por isso, cada vez que volto a escrever, sinto-me voltando para casa. É o meu modo de continuar aprendendo: com calma, com emoção e com verdade.
De entender os meus pensamentos, quando coloco tudo no papel é como se tivesse tirando todas as mágoas, tristezas, aborrecimentos do dia e o momento de avaliar se errei e sim pedir desculpas.
É a forma que prefiro e gosto de fazer planos, criar soluções para os problemas, toda vez que vou escrever um texto eu faço aos poucos, penso em cada palavra, guardo, depois volto e revejo tudo, mudo algumas vezes, acrescento mais outras tantas linhas, rabisco meus projetos, e partir daí surgem as ideias, mas tudo começa no meu caderno, e depois vai para o notebook e daí ele está pronto para publicar, realizar e seguir em frente, é como a degustação de um bom vinho: você aprecia aos poucos e ele fica na memória para sempre.
Vejo, com certa tristeza, o quanto muitas pessoas abandonaram o hábito de folhear um livro, de sublinhar uma frase, de pensar sobre o que leram. Em contrapartida, multiplicam-se as que se sentem cansadas, distraídas, esquecidas, até as crianças estão sem paciência, ansiosas, não sabem mais brincar, ter aquela alegria infantil que tanto nos encanta.
E talvez parte dessa exaustão venha justamente da falta de profundidade e do excesso de ‘tudo ao mesmo tempo’, sem o espaço para o que realmente importa.
Manter-se ativo e curioso é mais do que um exercício mental — é um gesto de resistência. É o que nos torna independentes, corajosos, vivos. A força verdadeira está nessa capacidade de seguir em frente mesmo quando a vida desafia, de levantar-se a cada queda, de aprender algo novo quando tudo parece velho. É o olhar que ainda se encanta, mesmo depois de tantas tempestades.
Porque o conhecimento que transforma não vem só das páginas de um livro ou das telas que iluminam o rosto: ele nasce do que vivemos, do que sentimos e da coragem que temos de continuar.
“Há quem busque respostas na internet. Eu sigo buscando nas entrelinhas da vida.”
Por Selma Cabral — Turismóloga e Especialista em Planejamento Estratégico do Turismo.





